Review – Ms. Marvel vol. 1: No Normal

10 de junho de 2015

Com o advento da internet e da facilidade de adquirir praticamente qualquer coisa pela internet, tem se tornado cada vez maior a quantidade de pessoas que têm se interessado por quadrinhos e graphic novels. Se por um lado isso aumenta o número de leitores e fãs, é inevitável que aumente também a variedade de pessoas que têm interesse por esse tipo de mídia… e a demanda por histórias que tenham pelo menos um diferencial, seja nos personagens, no traço dos desenhos ou no jeito de contar a história. Ou seja, a fórmula de histórias em quadrinhos que funcionava muito bem há 20 ou 30 anos talvez não seja exatamente a mais adequada para agradar a TODOS os gostos hoje em dia. E em meio a uma quantidade tão grande de super-heróis de corpo atlético e rosto de galã, ou super-heroínas que se enquadram no modelo de mulher perfeita, temos esta pequena jóia que é o volume número 1 de Ms. Marvel.

Para começar, temos no papel da protagonista uma garota de 16 anos chamada Kamala Kahn, a filha caçula de uma família paquistanesa que se mudou para Nova Jersey para tentar uma vida nova por lá. Logo aqui já temos um diferencial bastante interessante: temos uma protagonista “de cor” na história. (Pessoalmente, não gosto muito de usar este termo porque acho meio… estranho fazer com que uma pessoa se destaque das outras pela quantidade de melanina que ela tem na pele, mas tudo bem.) Por que isso é um diferencial? Porque o fato da família Kahn ter vindo de outro país empresta ao enredo em si uma característica cultural bastante interessante e que vai fazer parte dos conflitos que a Kamala enfrenta ao decorrer da história. Quem lê bastantes histórias de super-heróis com identidades secretas já deve estar bastante familiarizado com a fórmula de “garoto que sofria bullying na escola, aí cresceu e resolveu fazer o bem pela humanidade”. Aí temos o Superman, Batman, Flash, Spiderman, talvez eu possa me referir desta forma até mesmo ao Capitão América se contarmos a adaptação para o filme. Kamala Kahn passa pelo mesmo tipo de situação, mas é bem interessante observar as ocorrências do ponto de vista de uma menina. E mais: uma menina que ainda está passando por isso. Nossa protagonista sofre um certo preconceito por causa da raça e da escolha religiosa da família, e ver como ela lida com esse tipo de problema é algo de certa forma “refrescante”.

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Conforme os eventos vão se desenrolando, acompanhamos toda a saga de Kamala passando pelas dificuldades do dia-a-dia de uma adolescente que está mudando e descobrindo coisas a respeito de si mesma, ao mesmo tempo em que ela ganha os poderes da Capitã Marvel e aprende a lidar com eles.

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Uma característica que eu achei maravilhosa nessa história foi a maneira como o autor sutilmente colocou na história aspectos relacionados a diferenças culturais e como ele foi quebrando os esteriótipos de pessoas vindas do Oriente Médio, mostrando como as pessoas aceitam (ou rejeitam) a condição da nossa protagonista e da família dela. Você é confrontado com pequenos atos de racismo e vários outros “ismos” tão comuns à nossa sociedade atual e como os personagens lidam com dadas situações. Considerando o público-alvo da história, achei fantástica a maneira como todos esses problemas são abordados. Ao mesmo tempo em que essa história faz uma espécie de “crítica social”, ela é ao mesmo tempo extremamente divertida. Kamala e todos os outros personagens que aparecem durante a história são bem interessantes e têm várias nuances. A própria protagonista é uma personagem extremamente agradável, que sempre está tentando ver o lado bom da vida ao mesmo tempo que tenta sobreviver a essa terrível fase da vida que é a adolescência.

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Quanto aos aspectos técnicos, uma das razões pelas quais eu não quis esperar pela Panini Comics para lançar a série Ms. Marvel (se é que eles pretendem fazer isso!) é justamente pela qualidade do papel. Eu imagino que produzir um comic com esse papel melhorzinho seja um processo meio caro, então resolvi pegar pela Amazon mesmo. O preço é um pouco salgado considerando a cotação atual do dólar, mas este é um comic que eu quero que resista por mais tempo, então achei que talvez valesse o investimento.

Outra coisa bacana do comic é o próprio traço de Adrian Alphona. Ele não é super realista e o artista gosta de retratar a história em quadros com câmeras pouco convencionais (ao menos se comparado aos comics que eu tenho o costume de ler). Entre uma página e outra, o estilo de desenho muda para um bem mais simples, com olhos de pontinho. Para essa história em especial, o estilo combina muito bem. As cores, apesar de contrastantes, são bem agradáveis e não “cansam” a vista.

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Resumindo a ópera toda: para quem procura algum comic um pouco mais juvenil, mas com uma protagonista um pouco diferente, Ms. Marvel é recomendadíssimo e definitavamente vale a pena ser lido!

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