Review – The Books of Magic

29 de abril de 2015

Quem acompanha os nossos podcasts já deve estar com as orelhas ardendo de tanto ouvir falar no comic The Books of Magic, da autoria de Neil Gaiman e desenhado por John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess e Paul Johnson (e quem ainda não ouviu falar nada sobre ele, o Thiago falou bastante a respeito nos episódios 02 e 28). Por esse motivo, eu não vou fazer o tradicional resumo sobre o que se trata a história. No entanto, quando concluí a leitura, senti que eu também devia dar meus centavos sobre a história. Ao invés de falar sobre ele por mais algumas dezenas de minutos no podcast, resolvi escrever as minhas impressões sobre ele. Não se preocupe, o post não tem spoilers!

Bom, para começar, eu gostei da história, mas não tanto quanto o Thiago gostou dela. O traço mais evidente do estilo narrativo da história é que ele é bem metafórico. Quem já leu o livro Deuses Americanos vai se sentir bem familiarizado com ele. Pessoalmente, este estilo não é o meu preferido, mas, novamente, eu sou uma daquelas pessoas que nem sempre estão afim de ler histórias mais densas.

Uma das características mais interessantes deste comic é como a transição de um artista para outro ficou coerente com a mudança da narrativa. O comic é composto de quatro capítulos, e cada um deles foi retratado por um artista diferente. Gostei muito de como ficou “fluida” a passagem de um capítulo e de um estilo para o outro, e como o estilo de desenho se adequou ao personagem que estava guiando o protagonista pelos mundos. Só para exemplificar, quando é o Doutor Oculto que está conduzindo a história, os traços meio granulados como se tivessem sido feitos exclusivamente a lápis  dão ao capítulo um ar bem noir, enquanto no capítulo do Constantine o estilo muda para um traço bem “aquarelado” e diurno, emprestando à história um aspecto um pouco menos sombrio.

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O que eu considero uma “marca registrada” do Neil Gaiman é, como mencionei no podcast de Deuses Americanos, o jeitão de que “é tudo um sonho”. Quem conhece as obras de Neil Gaiman a esta altura do campeonato sabe do que eu estou falando: é como se nada do que estivesse acontecendo fosse real, mas ao mesmo tempo o mundo que ele constrói é muito crível.

Outra coisa bacana a respeito dessa história são as “participações especiais”. Quanto a isso não dá para entrar em muitos detalhes por serem spoilers, mas diversas figuras do universo Vertigo (que passaram para a DC Comics) estão presentes… e até mesmo algumas figuras do próprio universo do Neil Gaiman dão as caras, emprestando à jornada de Timothy Hunter um certo ar de familiariedade.

A única coisa que eu não achei muito bacana foi uma cena em particular que eu achei meio deslocada: ela se encontra logo no primeiro capítulo, tendo o Doutor Oculto como guia. Em determinado momento, Tim e seu “mentor” estão caminhando por entre diversas eras no passado e eles passam por um trecho da história da China. Não sei se a intenção era usar o trecho para representar a Ásia como um todo, mas escolheu-se uma imagem de uma… japonesa? Novamente, ainda que eu não seja expert sobre a história da Ásia, certos detalhes não passam desapercebido por meus olhos puxados, então isso meio que gritou pra mim. Mas pode ser que eu esteja interpretando incorretamente a história ou o significado que o autor quis incrustar nessa parte da narrativa, não sei.

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Apesar deste comic não ser o meu preferido, ele é bastante interessante. Se você gosta do estilo narrativo de Neil Gaiman, contos de fadas e um universo um pouco mais sombrio, vale a pena dar uma conferida!

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