Review – Forever Evil: A.R.G.U.S.

1 de abril de 2015

Antes de começar a fazer o review, eu gostaria de me desculpar a todos que acompanham este blog por todo esse tempo sem absolutamente nenhum post. Como mencionamos em episódios anteriores do podcast e mesmo nas redes sociais, a vida estava complicada nessas últimas semanas. Eu até prometi que ia ficar apenas duas semanas sem postar nada e acabei me estendendo um pouco além do prazo previsto devido a várias questões acadêmicas. Acredito que AGORA SIM consegui resolver todas as minhas pendências (ou pelo menos grande parte delas) e posso voltar ao meu ritmo normal de postagem de posts. Então, a partir de hoje, os posts do blog voltam a ser semanais… a menos, é claro, que haja outros imprevistos na minha vida pessoal. Espero que não!

Este período “off” forneceu-me tempo o suficiente para pensar um pouco a respeito do próprio formato dos posts do blog. Uma das conclusões às quais cheguei foi que eu talvez não esteja fazendo reviews o suficiente. Isso em grande parte se deve ao fato de que eu falo praticamente tudo que gostaria sobre o que tenho lido na parte de Reading Progress do podcast, e isso tem funcionado muito bem, pelo menos para nós. No entanto, também cheguei à conclusão de que talvez para comics isso não funcione TÃO bem. Ocasionalmente eu quero falar muito mais a respeito de determinado comic, seja a respeito do plot em si ou a respeito da arte. Às vezes eu gostaria de mostrar mais imagens ou de fazer uma crítica direcionada a uma determinada parte do comic que precisa de um pouco mais de “apoio visual”, coisa que não dá para fazer nos podcasts (ou melhor, até dá para fazer isso incluindo imagens nos posts, mas acredito que muitas das pessoas que escutam o podcast não o fazem acompanhando os links que são colocados nos posts).

Por este motivo, eu decidi que ao invés de falar sobre os comics que eu tenho lido, eu vou dedicar um post no blog para falar especialmente a respeito deles, independente de eu ter gostado da história ou não. Acredito que este formato de review para comics vai funcionar um pouco melhor para mim. Mesmo sistema: o post vai ser essencialmente sem spoilers, MAS quando eu resolver falar sobre spoilers ou qualquer aspecto do comic que possa revelar alguma característica do enredo que funciona como “elemento surpresa”, eu vou deixar um aviso de spoiler.

Outra coisa: quando digo que vou fazer posts escritos sobre comics, refiro-me apenas a mim mesma. O Thiago provavelmente vai continuar falando a respeito dos comics durante os podcasts e acredito que, para ele, este é o sistema que funciona melhor. Caso alguém tenha interesse em saber a minha opinião a respeito de algum comic que ele leu e eu não li, deixe um comentário no podcast ou em qualquer uma das redes sociais das quais fazemos parte (ou, caso prefira, mande-nos um e-mail) que eu tento arranjar o comic, faço um post sobre ele, deixo minhas impressões a respeito e coloco algumas fotos ou screenshots!

Bom, sem mais delongas, vamos ao post!

Hoje quero falar um pouco a respeito de uma das “ramificações” do arco Vilania Eterna (ou Forever Evil) da DC Comics. Eu já falei um pouco a respeito do comic principal no episódio 20a e, como mencionei, gostei tanto da história que acabei adquirindo as histórias paralelas à principal. Se isso foi uma boa idéia? Bem, se dependermos apenas deste comic, não muito.

Um pouco a respeito da história do arco A.R.G.U.S. de Forever Evil: ele segue os eventos do arco principal sob o ponto de vista de Steve Trevor, o ex da Mulher Maravilha e representante da A.R.G.U.S., uma agência fundeada pelo governo Norte-Americano com o intuito de manter vigília sobre os atos da Liga da Justiça (eu estou sendo bem direta com essa descrição, existe toda uma história por trás dessa organização). Durante a história, Trevor precisa resolver diversos problemas, de localizar e ajuda a Liga da Justiça até proteger o presidente do país, tudo isso enquanto conta com algumas alianças bem inesperadas.

A primeira crítica que tenho para com este comic é com relação à própria capa do comic. Aqui temos o coronel Steve Trevor lutando contra um dos meus vilões preferidos, Deathstroke (vou me abster de chamá-lo pela tradução de seu nome, Exterminador porque, pessoalmente, acho que Exterminador é um nome que soa extremamente genérico). Eu tenho algumas críticas para fazer com relação a ela que vão soar extremamente mimimi, por assim dizer. A primeira é com relação à espada que o Deathstroke está empunhando. Pessoalmente, não achei legal a escolha do design da mesma. Eu concordo que todo ilustrador precisa ter a sua liberdade artística para trabalhar no design das armas dos personagens, mas eu acredito que as espadas do Deathstroke seguem um certo padrão: elas geralmente seguem mais ou menos o estilo das katanas, têm uma ponta recurvada e permitem um uso bem mais ágil. Claro, há artistas que retrataram a espada com um jeitão mais ocidental, mas mesmo nesses casos a espada não costuma ser tão… grande e desajeitada (inclusive, não achei muito legal a decisão da Kotobukiya de escolher uma espada tão tijolo para ele, mas isso sou eu). No caso da capa em especial, a espada parece não ter sido tão bem pensada. Ele a está quase segurando pela lâmina. Sendo um mercenário tão preciso e cuidadoso, será que ele faria isso durante uma luta MESMO?

Outra coisa que eu não achei muito legal não só na capa, como no decorrer do comic foi a estética do uniforme da A.R.G.U.S. para o Steve. Parece um bando de plaquinhas almofadadas coladas aleatoriamente ao corpo com… uma estrela vermelha no ombro? Esquisito.

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Também não achei bacanas as ilustrações do Brett Booth, mas isso já é questão de preferência pessoal mesmo. Eu não gosto da arte do Brett Booth pelo mesmo motivo pelo qual não gosto das ilustrações do Robert Liefeld, e a primeira ilustração já mostra por quê: as armas do Trevor estão apontando para fora e distorcendo de um jeito muito macabro. Os pés foram desenhados de um jeito meio estranho, parecendo um V, parecem bem desproporcionais com relação ao resto do corpo… e alguém entende aquela cabeça flutuante da Killer Frost saindo do pescoço da Cheetah?

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Uma coisa que talvez seja cisma minha: quando eu vejo um personagem na capa de um comic, eu espero que este personagem seja relativamente recorrente durante a história. Afinal de contas, não faria sentido o Batman estar na capa de um comic se ele não aparecesse efetivamente na história. É claro, há casos e casos. Se a aparição do personagem for marcante para a história, faz sentido ele estar lá. Neste caso, Steve Trevor é o protagonista da história e o representante da A.R.G.U.S., então OK. Deathstroke? Não. Deathstroke aparece em meia dúzia de páginas, talvez nem isso. Ele luta ao lado do Copperhead contra  o Steve Trevor durante um período relativamente breve de tempo e depois nunca mais dá as caras. Considerando que o Deathstroke foi praticamente o que me vendeu o comic, eu fiquei bastante decepcionada com a cena de luta relativamente banal e a descaracterização dele, especialmente depois de ele ter lutado sozinho contra vários membros da Liga da Justiça (e vencido!) em Identity Crisis e contra os Jovens Titãs no desenho animado.

Até achei estranho que Killer Frost, que tem uma presença bastante marcante durante a história, teria sido uma escolha muito mais inteligente para a capa, juntamente com o coronel Trevor. As próprias capas variantes também não fizeram escolhas muito melhores, e eu me perguntei o tempo todo o que houve aqui. Será que os editores deixaram o plot de lado para escolher ilustrações aleatórias que eles acharam que iam ser mais bacanas, mesmo que elas não tivessem muito a ver com a história?

E por falar na história, eis aqui outro ponto que me decepcionou bastante: como essa história foi desinteressante com relação ao arco principal de Forever Evil. A impressão que deu é que quem escreveu o roteiro estava desesperado por cenas de ação e acabou perdendo completamente o foco. Tem muita coisa acontecendo, muita história pequena querendo ser contada, nada foi feito de maneira adequada, a história central ficou extremamente corrida, falou muita coisa e não disse nada. Como não era de se espantar, ela não conclui de maneira satisfatória e joga ao final um cliffhanger muito fraco.

Enfim, não recomendo esta história. O arco principal de Forever Evil é bem legal. A ramificação A.R.G.U.S.? Não.

Bem, eu tenho mais dois comics paralelos à série Forever Evil para serem lidos ainda. Espero que eles sejam um pouco melhores que esse aqui!

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