[Maratona Literária 2014] – Review: The Boy in the Striped Pyjamas

17 de janeiro de 2015

Concluída a leitura de mais um livro da Maratona Literária 2014 e, bom, agora que temos apenas 5 dias de maratona pela frente e diversos imprevistos surgiram na minha vida, este provavelmente será o último livro cuja leitura consegui concluir antes do término da maratona. Pretendo fazer um post falando sobre isso quando ela acabar oficialmente, mas vamos lá.

(para quem se interessar, há um filme baseado neste livro!)

O Menino do Pijama Listrado conta a história de Bruno, um menino de 8 anos e filho de um dos comandantes de Hitler na época da Segunda Guerra Mundial. Devido à promoção de seu pai, Bruno e sua família precisaram se mudar de Berlim para Auschwitz, em uma casa que ficava próxima de um campo de concentração. O garoto reluta com todas as mudanças acontecendo em sua vida: deixar o conforto de sua casa em Berlim para viver em uma casa um pouco menor, abandonando antigas amizades e uma vida agradável para começar uma rotina que se adequa melhor ao novo emprego de seu pai, tendo que agüentar as rabugices de sua irmã mais velha, as visitas de um dos subordinados irritantes do comandante e, sobretudo, a solidão. A única coisa que lhe resta fazer é tentar reconstruir seu mundinho destruído e, para isso, ele faz aquilo que ele mais gosta de fazer: explorar os arredores.

É em meio a uma dessas aventuras que ele conhece Shmuel, um menino franzino da mesma idade que ele que vive do outro lado da misteriosa cerca de arame farpado. Depois de descobrir que ambos nasceram exatamente no mesmo dia, eles acabam se tornando grandes amigos.

A premissa básica do livro é esta. Uma coisa que achei curiosa com relação a este livro é o fato de ele ser considerado um “livro para crianças”. De fato, ele conta algumas ocorrências do holocausto do ponto de vista de uma criança, mas eu honestamente não sei se daria este livro para uma criança ler. O que é irônico, porque a história em si não parece ser direcionada para crianças, mas o estilo de escrita é.

Antes de começar a ler este livro, eu cometi o erro de ler alguns reviews que deram nota baixa a este livro, e isso acabou influenciando a minha maneira de lê-lo. Muitos deles diziam que este livro “caçoa os fatos por trás dos eventos dos campos de concentração” (inclusive, alguns dos reviewers dizem ser sobreviventes do holocausto. Eu não acredito muito, mas também não discordo com os argumentos que eles utilizaram para dizer que o livro é ruim). Minha opinião: o livro, talvez por ser infantil, realmente trata o assunto de maneira muito mais leve do que ele realmente é. Talvez até mesmo com menos seriedade que deveria, mas acho complicado falar sobre um tema tão pesado como o holocausto da maneira como ele aconteceu para crianças, e o livro é, de fato, as ocorrências do holocausto sob o ponto de vista de uma criança completamente alheia à Segunda Guerra. E aqui entra a minha primeira crítica ao livro: a falta de coerência dos acontecimentos. Eu acho muito difícil que uma criança, por mais que ela não esteja completamente consciente do mundo, seja completamente alheia a uma guerra. É muito estranho que um evento tão grande esteja acontecendo e os pais não tenham falado absolutamente NADA a ele. E quanto à segurança dos pequenos?

Outra coisa que eu achei estranha foi o fato do Bruno ter aulas com um professor particular em plena época do nazismo acirrado, ainda mais se considerar que o pai dele era alguém de alto escalão no exército alemão. Ele e a Gretel não deviam servir de exemplo para a Juventude Hitlerista?

Também achei que os personagens são bem cansativos. No podcast 21 eu mencionei que não gosto de personagens crianças, e este livro é a perfeita explicação do por quê. Eu me perguntei o tempo todo se o Bruno e a Gretel eram ignorantes ou só ingênuos mesmo. Claro, isso tudo é preferência pessoal, mas eu realmente não estava com paciência para agüentar os insultos que os dois trocavam sobre assuntos frívolos.

Talvez o que tenha arruinado a minha experiência com este livro tenha sido a expectativa que eu tive. Mais da metade da história é sobre as mudanças na vida de Bruno, e o que eu esperava era ter visto um desenlace maior da amizade dele com o Shmuel, e isso é algo que eu senti que foi descrito de maneira meio corrida. Ou seja: aquilo que me vendeu a história foi praticamente um aspecto secundário.

O que eu gostei no livro: o final. Um pouco corrido, sim (e aqui novamente questiono o fato de este livro ser para o “público mais jovem”: será que eles vão entender o que aconteceu de fato no final das contas?), mas achei extremamente apropriado. Se eu tivesse me apegado mais aos personagens e à situação, eu acho que até teria derramado uma lágrima ou duas.

Enfim, este livro não é ruim, mas eu esperava muito mais dele. Não dou duas estrelas a ele porque a premissa foi muito boa e talvez até a maneira de contar a história tenha sido bem original, mas não acho que ele valha muito mais que três estrelas.

E vocês, já leram o livro ou viram o filme? O que acharam dele?

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