Review – Barba Negra: O Diário Perdido

19 de novembro de 2014

Eu sou uma fã relativamente recente da série Assassin’s Creed. Apesar de não ser uma fã tão inveterada, tampouco uma leitora ávida dos livros de Oliver Bowden, eu já joguei todos os games da série principal (sem contar os jogos do DS e do PSP, visto que não ouvi falar muito bem deles. Ah, também não joguei os DLCs nem o Liberations – ainda!) e gosto bastante da premissa dos jogos e da maneira como eles parecem ser utilizados como um meio didático para tornar fatos históricos mais divertidos e intrigantes. E, de longe, meu jogo preferido da série é o Black Flag. Mesmo não me interessando muito pela Era de Ouro da Pirataria, esse foi, para mim, o jogo mais divertido.

Por ter gostado tanto de Assassin’s Creed IV: Black Flag, é que eu não pude tirar meus olhos do belíssimo livro que é Barba Negra: O Diário Perdido. Ele conta os eventos do jogo sob o ponto de vista de Edward Thatch, mais comumente conhecido pela alcunha de Barba Negra. Para que o livro não acabasse fugindo muito do caminho do jogo, ele acabou se restringindo aos acontecimentos do jogo: como Thatch conheceu Edward Kenway, Adewalè, Stede Bonnet, seu ponto de vista sobre Hornigold, James Kidd e Anne Bonny, ocorrências cotidianas a bordo de seu famigerado navio Queen Anne’s Revenge e muito mais.

O livro tem uma cara bem legal. A capa dura é bem grossa e parruda, com detalhes interessantes em relevo:

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Uma rápida análise técnica do material: as páginas são relativamente grossas e de boa qualidade, a impressão é excelente. Só achei que a fonte em si é meio ruim de ler por grande parte das páginas. A história é narrada pelo Barba Negra, mas quem colocou todas as idéias dele no papel foi seu escriba. Ocasionalmente o próprio Barba Negra adiciona suas próprias anotações e o escriba coloca seus pensamentos em trechos separados  que se assemelham a folhas soltas nas páginas.

Menção obrigatória: as belíssimas ilustrações, tanto as coloridas como as feitas a lápis, carvão, nanquim, tinta etc.:

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Eu tenho a leve impressão de que esses foram concept arts utilizados no jogo, mas que ninguém quis colocar no artbook que veio com a edição de colecionador – ou que talvez o pessoal da Ubisoft tenha querido colocar em algum lugar que pudesse representar a imagem com qualidade melhor, mas tudo bem…

Uma coisa que parece ter se transformado em tendência em diversos livros que fazem parte de uma franquia é a apresentação dos mesmos, e isso, para mim, está se tornando um diferencial interessante. Por exemplo, eu me sinto muito mais compelida a adquirir a cópia física de um livro que venha com itens assim:

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Vocês mesmos estão testemunhando que este livro vem com uma página contendo nós em cordas. Sim, uma página “solta”! (na verdade ela está colada à página – e se você está pensando em adquirir este livro, tome cuidado ao virar as páginas. Essas folhas soltas têm uma cola poderosa e eu rasguei um pouco uma das páginas ao tentar virá-la ‘-‘)

E como se isso não fosse o suficiente, veja só o que mais veio no livro:

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É claro, cada um dos materiais extras incluídos no livro têm um contexto para estarem ali.

Outros extras interessantes:

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(sim, eu sei que quem tem TOC deve estar me amaldiçoando pela orientação das fotos)

Mas antes que vocês pensem que os únicos extras são cartas anexadas às páginas, dêem uma olhada no que mais vem com o livro:

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Todo esse material está impresso em um papel de boa qualidade, e não esses papéis baratos que soltam tinta em seus dedos!

Adicionalmente, impresso ao próprio livro temos também algo que eu ADOREI no jogo: SEA SHANTIES!

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Infelizmente, Captain Kidd é o único Sea Shanty do livro. Quem jogou sabe que Black Flag tem cantigas ótimas (e, pessoalmente, minha preferida é o The Drunken Sailor – que também foi usada de música-tema para o jogo Dishonored!) e eu adoraria ter visto todas nesse livro.

Outro detalhe bem legal do livro é o fato de que o impresso de todas as páginas estão meio marcados, como se fossem papéis de pergaminho gastos e meio queimados. Várias páginas têm até manchas que simulam sangue ou bebida derramada.

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Um toque muito legal para o livro!

Quem não jogou Assassin’s Creed IV: Black Flag vai ficar muito perdido com o livro? Bom, talvez não vá ficar perdido mesmo, mas eu sinto que este livro foi feito mais para fãs mesmo. Quem não jogou talvez vá achar que ele tem informações muito soltas e vagas. Quem jogou vai acabar se lembrando das cenas do jogo conforme for lendo e vai aproveitar melhor a experiência.

Quem não ler este livro vai perder muito do jogo? De maneira alguma! O Diário Perdido é um excelente complemento para a história do jogo, mas não é vital para o pleno entendimento da história do mesmo.

Mas só para que ninguém pense que este é nada mais que um bando de coisa que talvez a Ubisoft tenha querido colocar no jogo, mas não encontrou brechas para tal, achei que até houve certo desenvolvimento de personagem neste livro, e ele foi feito de maneira bem sutil. Ele também tem uma cena que eu achei bem forte (mais especificamente a do navio com os escravos), mas sinto que ele tinha potencial para ser ainda mais do que é. Acredito que ele poderia ter um desprendimento um pouco maior do jogo e se focar efetivamente na vida e nas aventuras de Edward Thatch, explanando coisas que foram explicadas vagamente no jogo.

Outra coisa: se tiver a oportunidade, pegue a versão em inglês do livro. A versão em português não está de todo ruim, mas vários erros de tradução acabaram escapando, incluindo palavras não traduzidas ou traduzidas incorretamente.

De qualquer maneira, Barba Negra: O Diário Perdido é um livro bem legal para fãs da série Assassin’s Creed. Vale a pena dar uma conferida!

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