Mini-review – Resident Evil: Marhawa Desire

29 de outubro de 2014

Eu percebi que, desde que começamos a fazer o podcast, ainda não mencionamos nada a respeito de mangás. Devo confessar que muito disso se deve ao fato de que meu hype por mangás esfriou já faz um bom tempo, mais ainda quando comecei a querer acompanhar comics. Ainda assim, por vez ou outra eu acabo encontrando aqueles mangás que acabam chamando minha atenção por algum motivo. Pretendo fazer posts de mini-reviews de mangás (e outras coisas) sempre que puder, mas vale lembrar que eu tenho poucas coleções completas de mangás (acho até que consigo contar nos dedos quantas eu tenho), então não contem com posts como este com muita freqüência!

Bom, para estrear a sessão de mini-reviews e mangás, vou começar falando de uma série super curta de mangás. Eu sei de muita gente que curte os jogos Resident Evil e, ocasionalmente, tropeço em pessoas que gostam dos filmes também (que eu, pessoalmente, detesto – os filmes, não as pessoas), mas por incrível que pareça, nem todos os fãs dos jogos estão cientes de que existe uma mini-série de mangás. Talvez isso se deva justamente ao fato de que ela é baseada no sexto jogo da série, que é o desafeto de muita gente (e, ironicamente, meu preferido).

Resident Evil: Marhawa Desire é uma série trazida aos fãs brasileiros pela Panini Comics e pela Planet Manga em 2012, quase ao mesmo tempo que o lançamento japonês. Ele foi desenhando pelo Naoki Serizawa e conta a história de Ricky Tozawa, um estudante do segundo ano da faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Bennett e sobrinho do professor titular Doug Wright. Um dia, o professor Wright recebe uma carta do colégio Marhawa, dizendo que uma estudante em estado de decomposição estava atacando outros alunos na escola. Doug resolve ir até a escola para investigar os acontecimentos e Ricky, que estava precisando de alguns pontos extras nas aulas lecionadas pelo tio, resolve acompanhá-lo nessa empreitada. A missão inicial parecia simples: investigar os acontecimentos, sugerir uma possível solução para o problema e retornar para seus cotidianos. Havia, no entanto, um pequeno detalhe: o colégio Marhawa estava em um lugar completamente isolado e de difícil acesso. Todo e qualquer tipo de comunicação era dificultado (o que incluía acesso à internet e sinal de telefone). Era apenas por este motivo que este acontecimento ainda não tinha sido divulgado nos noticiários locais.

Ao chegar no colégio, Doug percebe que a infecção da garota já tinha evoluído para um estado de zumbificação completo e ele não tinha como ajudá-la. Ele sugere á diretora da escola, Madre Gracia, que chame a B.S.A.A. (para quem não estiver familiarizado com o termo, é a sigla para Bioterrorism Security Assessment Alliance, a área do exército que se encarrega de cuidar de ataques bioterroristas) para resolver o problema. No entanto, Madre Gracia reluta fortemente contra esta decisão, pois um incidente desses poderia manchar a reputação da renomada escola (e neste momento devo ressaltar que a arrasadora maioria dos alunos desta escola pertencem à classe média-alta).

Neste ínterim, Chris Redfield, Piers Nivans, da B.S.A.A. da América do Norte, e Merah Biji, da B.S.A.A. do Extremo Oriente recebem um comunicado do Professor Doug com informações sobre as coisas que estão acontecendo no colégio Marhawa e resolvem ajudar nas investigações.

A história é basicamente esta: Doug, Ricky e os membros da B.S.A.A. vão tentar descobrir o que exatamente está acontecendo neste colégio amaldiçoado e acabam se deparando com problemas muito maiores (todos relacionados a zumbis, criaturas grotescas, cachorros mutados e aquele monstrão gosmento que eu detestava enfrentar no jogo), o que inclui os motivos pelos quais Madre Gracia quer manter tudo isso em segredo custe o que custar.

Eu tenho que confessar que a principal razão pela qual eu resolvi acompanhar este mangá foi porque eu queria saber mais a respeito do personagem Piers Nivans que, durante toda a campanha de Resident Evil 6, foi meu personagem preferido. Eu escutei muitos comentários sobre o quanto o Piers é um soldado genérico e sem graça saído de um Call of Duty (e, honestamente, quem acha que todos os protagonistas da série Call of Duty são personagens genéricos só não está querendo se dar ao trabalho de analisá-los apropriadamente), mas eu acabei gostando tanto do desenvolvimento do personagem e de tantos detalhes implícitos nele que quando vi que seria feita uma história da qual ele faria parte, eu não vi motivos pelos quais eu NÃO deveria acompanhar a série. Nesses aspectos, não estou decepcionada. Apesar de não ter havido quase foco nenhum nos personagens que já conhecemos, foi interessante vê-los em ação em eventos anteriores a tudo que aconteceu no jogo.

Quem é fã dos jogos vai perder muita coisa se não ler os mangás? Não. Existem algumas coisas legais que ligam os eventos e personagens de Marhawa Desire ao comecinho do arco do Chris em Resident Evil 6, mas nada muito vital ou que explique muita coisa.

Quem não jogou vai se sentir perdido se não ler os mangás? Não. Pode ser que quem não tenha jogado não vá achar graça na referência feita ao jogo no finalzinho do mangá, mas nada que faça uma diferença muito significativa.

Com relação aos aspectos técnicos dos encadernados, devo dizer que não sou muito fã da maneira como os mangás são feitos aqui no Brasil. Quem já pegou um mangá japonês sabe que os materiais utilizados fazem bastante diferença no produto final. Os mangás brasileiros são impressos naquelas folhas de jornal que soltam tinta nos dedos e, de acordo com o pessoal que tem um olho mais apurado para esse tipo de detalhe, a isso acaba fazendo uma boa diferença na impressão. Os detalhes menores são muito mais bem definidos no papel do mangá japonês, que é um pouco mais grosso que o papel de jornal, não solta tinta e não fica com um cheiro estranho depois de um certo tempo. Isso sem mencionar que as páginas coloridas do começo de cada encadernado nipônico geralmente são impressas em um papel difereciado e meio brilhante, parecido com aqueles papéis de capa de revista. Os daqui geralmente são impressos no mesmo tipo de papel que o resto das páginas. Acho interessante como o mangá original custa cerca de 400 ienes, o que dá um pouco mais de 9 reais (considerando a cotação do dia em que estou escrevendo este post). No Brasil, cada um destes mangás custa R$10,90. Um preço razoável, considerando a qualidade da tradução, mas às vezes eu me pergunto qual é o verdadeiro custo do processo de produção…

Bom, com relação às capas, como são apenas cinco edições ao total, achei que vale a pena postá-las por aqui:

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Achei muito legal como cada capa destaca um personagem diferente. Na ordem que aparecem, vemos a primeira garota infectada em Marhawa, depois Ricky Tozawa, Chris Redfield, Piers Nivans e Merah Biji. Nem preciso dizer que o número 4 é a menina dos meus olhos, né?

Se você ainda tem algumas dúvidas com relação à qualidade do desenho em si, digo apenas o seguinte: pelo traço, vale a pena.

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Até onde é de meu conhecimento, Naoki Serizawa é não apenas um excelente fotógrafo, mas um ótimo desenhista. A quantidade de detalhes nos cenários são de encher os olhos e os personagens que já conhecemos foram retratados muito bem.

No mais, acho que Resident Evil: Marhawa Desire é uma boa adição para fãs da série Resident Evil e para quem curte uma historinha bacana com zumbis, sangue e ação frenética. Só lembrando que há violência explícita a rodo nestes mangás!

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