Book Unhaul – As Brumas de Avalon

22 de outubro de 2014

Não é só de aquisições que vive o leitor, e às vezes temos o azar de pegar um livro que simplesmente não nos agrada. Quando isso acontece, acho que é interessante eu me desfazer dele em prol de alguém que talvez possa gostar do mesmo.

Esta semana, eu fiz um “book unhaul”. Para quem está está acostumado com o termo “book haul”, a aquisição de livros, “book unhaul” é fazer exatamente o contrário: se livrar de algum livro. E o que eu escolhi esta semana foi a série de livros As Brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley.

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(ignorem a ausência do último livro, eu tirei as fotos na época em que recebi os livros pelo Submarino e um tempo depois tive problemas com o HD e perdi algumas das fotos que havia tirado)

Para quem não conhece, As Brumas de Avalon contam a história do rei Artur do ponto de vista das moças da história: destacadamente Morgana e Guinevere (ou Gwenhwyfar). Eu não sou particularmente fã das crônicas da Távola Redonda (ou de contos do período medieval em termos gerais), mas estava disposta a dar uma chance para esta história. No entanto, é com grande amargor que digo que a história começou aceitável e terminou de maneira que eu considerei extremamente irritante. Personagens com quem eu me simpatizava no primeiro livro estavam simplesmente insuportáveis conforme eu avançava durante a leitura, e acabaram estendendo esse ódio a outros personagens que interagiam com eles. A história simplesmente se arrastou do segundo livro para a frente. Não sei se isso se deve simplesmente à maneira como eles reagiam às situações que eram apresentadas a eles ou se a autora de fato lidou com elas de maneira muito ruim. Acredito que parte disso se deva à minha maneira de encarar pessoas excessivamente devotas à religião, mas quando um personagem que é relativamente inteligente deixa de agir de maneira lógica por qualquer motivo que seja, ele perde muito de meu respeito, que é o que aconteceu com o Artur e com o Lancelot.

Eu sou uma pessoa que precisa gostar de algum personagem para se motivar a terminar um livro/jogo. Se os personagens não ajudam, a jornada fica BEM penosa, por mais que o universo tenha sido bem pensado. Em As Brumas de Avalon, quanto mais eu conhecia os personagens, menos eu gostava deles.

Quanto ao final da história… bem, como mencionei, não estou familiarizada com a história do universo da Távola Redonda, então suponho que não há muito o que fazer com ele, acredito que aquele seja o final “oficial”. Mesmo assim, imagino que existam muitas maneiras de fazer com que ela pareça um pouco melhor do que o que aconteceu em As Brumas de Avalon. Achei que o desfecho foi bastante insatisfatório (mas ao nível do resto da história) e que deixou aquele retrogosto de algo não resolvido.

Quando fechei o último livro, só tinha um pensamento em minha mente: “eu nunca mais quero ler esse livro”.

Acho que a única razão pela qual eu dei três estrelas para a série inteira foi o fato de que eu fiz “buddy reading”: eu li os quatro livros ao mesmo tempo em que um bom amigo meu, então tivemos bastante o que discutir e a experiência acabou sendo um pouco mais legal.

Enfim, dei estes livros a minha avó para que ela os troque por algo que seja de interesse dela em algum sebo da região. Eles estão em condições muito boas, então por mais que eu não tenha gostado deles, espero que eles encontrem um bom lar!

  • Ly

    poxa!!! ): sério? brumas de avalon é <3 mas achei o terceiro e o quarto livro bem perdidos. a Morgana me irrita bastante na série e tal. É uma pena. :/ Mas olha tem as crônicas do Rei Arthur do Bernard Cornwell que é o mesmo tema, mas acontecimentos de diferentes e o mais "perto" da história real. Outra que conta bem isso é "A demanda do santo graal" que é usado como referência em trabalhos acadêmicos sobre o rei arthur, se te interessar. Talvez você goste mais desses livros, mas o universo arturiano é bem incrível mesmo. É até legal pensar que é uma incorporação cristã-celta da história. Rei Arthur foi o melhor rei da Bretanha e ninguém sabe de fato se ele existiu, ele tinha 12 cavaleiros e se reuniam em torno de mesa, sabe quem também era assim? Jesus! hahahaha dizem que é incorporação da igreja para histórias celtas. Quem sabe, hahahha

    • Pois é. Na verdade eu achei os dois primeiros livros interessantes, coisa e tal, mas depois disso senti que houve uma certa “involução” dos personagens, sobretudo da Morgana e do Lancelote. Não só isso, durante praticamente a série inteira eu achei a Gwenwyfar BEM irritante. Também me incomodou muito essa falsidade, essa relação venenosa entre as mulheres do livro, razão pela qual não costumo gostar muito de romance histórico. Eu não acho legal ver uma relação tão nociva entre mulheres, mesmo que isso tenha acontecido de fato na história “oficial”. Eu dificilmente vejo uma relação de amizade verdadeira entre as mulheres, como costuma acontecer com os homens (aliás, acho que consigo contar nos dedos os livros com relações legais de amizade entre meninas – vide Fangirl, da Rainbow Rowell).
      De fato, talvez tenha sido só o estilo do livro mesmo. Não sou muito fã de histórias da Távola Redonda ou que se passem no período medieval, com algumas exceções. O Thiago já me recomendou os livros do Bernard Cornwell por várias vezes, então os que você mencionou já estão na minha lista!

      • Ly

        A Gwen é insuportável, mas meio que comecei a entender porque ela é uma mulher que nunca saiu de casa, foi obrigada a casar com um cara que ela nem conhecia, se apaixonou pelo melhor amigo e ainda tinha que ver a Morgana sendo meio que livre. Gosto de um desenho que junta as duas, como se fossem dois lados da mesma moeda. Porque é isso, elas são mulheres num mundo extremamente machista e patriarcal, por mais que a Marion tenha sido sufragista, ela falhou isso. :/ mas no BC elas também não são amigas, acho que elas só se conhecem por nome. Me avisa quando ler!

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