O que temos lido até agora… (livros 1 a 3)

26 de julho de 2018

Okay, estivemos ocupados durante todo esse tempo sem podcast, o que não necessariamente significa que não temos lido nada ultimamente! Se por um lado a vida dos Agentes do L.I.V.R.O. virou de cabeça pra baixo, nem mesmo isso foi o suficiente para nos fazer parar de ler! Inclusive, por conta de algumas facilidades que a mudança de ares me proporcionou, eu ganhei um acesso ainda mais fácil a livros de meu interesse.

Quem me acompanha no Goodreads sabe que eu já matei a minha meta de leitura para o ano. Eu tinha estabelecido uma meta de 50 livros. Um livrinho por semana é um número razoável, certo? Pois bem, no momento contabilizo 73 livros, contando comics e mangás. Se levarmos em consideração só livros, tenho 44 leituras concluídas. É claro que dentre tanta leitura bacana, tem muitas coisas sobre as quais eu quero comentar. Como ainda não temos previsão para voltar com o podcast, decidi deixar minhas breves impressões por escrito mesmo! E visto que o número de livros da minha parte é relativamente grande, resolvi fazer uma série de posts falando um pouquinho das minhas opiniões sobre cada um deles. A idéia é não deixar vocês sem recomendações para leituras e, como sempre, deixar todo mundo atento para o que rola no mundo literário aqui nessas terrinhas gélidas e que podem dar as caras em breve em território brasileiro!

When Dimple Met Rishi, por Sandhya Menon: acho que esse livro já é quase um velho conhecido das pessoas que acompanham booktubers gringos, e foi este o primeiro livro que eu li em 2018. Ele conta a história de dois adolescentes descendentes de indianos que resolvem participar de um bootcamp para desenvolver um software. Conheçam Dimple: a garota determinada e de opiniões fortes que não tem tempo a perder com o que a tradição indiana prega a jovens como ela. Casamento? Só depois de formada e com um bom emprego! Casamento arranjado? Pior ainda!
Em contrapartida temos Rishi, um rapaz sonhador e romântico cujo grande objetivo de vida é se casar com uma bela donzela, exatamente como seus pais gostariam que ele fizesse. Ele é um grande adepto das tradições e cultura indiana e gostaria de segui-las o máximo possível. Por sorte (ou azar), seus pais já encontraram a garota certa para ele. Sim, é claro que essa garota é a Dimple. Já dá para ter uma idéia da confusão que vai ser essa história, não?
Avaliação: ★★★☆☆
Esse livro foi um pouco aquém do que eu esperava. Apesar de inserir muitos aspectos culturais interessantes com relação à cultura indiana, ele não tem muito diferencial com relação a muitos outros romances YA que eu já li e comentei no podcast. Basicamente garoto (riquíssimo) encontra garota, garoto se apaixona por garota, garota se apaixona por garoto mesmo que um pouco a contragosto, conflitos internos seguem. A história toda se passa no campus de uma universidade e acontece durante o tal do bootcamp, cenário que por si só já me deixou meio incomodada. Não pelo fato de tudo ocorrer durante um bootcamp, mas pela parte das atividades em prol de socialização.
É aqui que eu tenho que começar a ser chata com a história. Sendo da área de TI e tendo participado de alguns bootcamps, se tem uma coisa que eu posso afirmar com veemência é que se todos os bootcamps de que participei tivessem esse tipo de evento estilo gincana, de agarrar o colega mais próximo e correr pela cidade tirando fotos e fazendo showzinho musical, pode ter certeza que eu não teria participado de nenhum. Bootcamp, sobretudo na área de programação, costuma ser uma experiência muito intensa por conta da quantidade de conteúdo técnico passado dentro de um período de tempo muito curto. Não só isso, o público-alvo desses bootcamps costuma ser distinto: pessoas que têm interesse em adquirir conhecimento sobre uma nova tecnologia e focar sua atenção nisso. Sabendo disso, não pude deixar de olhar para a história inteira com muita incredulidade. Afinal de contas, estamos falando de um bootcamp com foco em programação para aplicativos móveis ou de uma colônia de férias?
Tendo esse cenário em foco, não foi muito difícil perceber os artifícios que a autora estava usando para não usar linguagem técnica no livro. Isso acabou me distraindo do foco principal do livro (ou talvez eu tenha ignorado a história deliberadamente, porque não sou muito chegada a romances), que é como a amizade entre a Dimple e o Rishi acaba evoluindo para algo a mais, tudo isso somado ao conflito interno da Dimple de “será que se eu me apaixonar por esse rapaz eu vou perder meu foco na minha carreira e vou acabar me tornando aquilo que estou lutando para não me tornar?”. Talvez isso tivesse um bom potencial em termos de narrativa, mas eu sinto que ele não fez muita coisa diferente do que tantos outros romances YA já fizeram.
Então, para quem curte romance YA mamão com açúcar, talvez este livro seja para você. Ele não teve muito diferencial para mim com relação a tudo que eu já li antes então pra mim ele foi para a “pilha de YAs que soam exatamente a mesma coisa”.

Pet, por C.S. Pacat: este é um conto que se passa no universo da trilogia dO Príncipe Cativo, para a qual eu já fiz um post inteiro no blog. Para quem acompanha a série, a C.S. Pacat escreveu vários contos que se passam no mesmo universo, e este aqui é, em tese, o último da série de contos. Desta vez, o foco é na história do Ansel e de como ele chegou ao posto de um dos “pets” mais desejados pela corte.
Avaliação: ★★★★★
Os livros da C.S. Pacat são meu “guilty pleasure”. Eu tenho plena consciência de que ela não é particularmente brilhante no que tange estilo de escrita, mas eu gosto muito dos personagens que ela cria. Eles têm uma certa profundidade e a maioria deles SEMPRE tem segundas intenções em cada um de seus atos e decisões, o que faz deles extremamente interessantes de acompanhar. A graça do Ansel é justamente o fato de que ele é um daqueles personagens cujos atos não são muito fáceis de prever, mesmo que ele tenha objetivos muito claros. O mais legal é que mesmo que esta história seja curta, você nota o desenvolvimento do personagem, coisa que provavelmente não coube na história principal.
Para quem curte o universo Captive Prince, definitivamente vale a pena dar uma conferida neste conto!

Shadow and Bone, por Leigh Bardugo: o Thiago já falou desse livro no episódio 53, então nem vou me estender muito falando do plot.
Avaliação: ★★★☆☆
Acho que minha opinião não difere muito do que o Thiago já falou no episódio: você consegue ver que o universo dessa história tem muito potencial e, tendo lido Six of Crows e Crooked Kingdom (e adorado os dois livros), foi bacana ver de onde vieram algumas das referências das histórias. Alguns personagens que aparecem em Shadow and Bone aparecem na duologia Six of Crows, o que me dá ainda mais vontade de relê-la. O problema de Shadow and Bone é que ele não tem quase nada que o diferencie de tudo que é livro YA que eu já li até agora. Novamente temos um mundo distópico, uma protagonista que se sente marginalizada pela sociedade corrupta e vil, mas que é coincidentemente escolhida pela figura mais importante daquele universo (obviamente um rapaz podre de rico e lindo de morrer) para desempenhar um papel que somente ela é capaz de desempenhar. Claro que no meio de tudo isso temos um triângulo amoroso, ciúmes, um monte de cenas de treinamento bem ao estilo Divergente e AQUELA ceninha de ação para fechar o livro com chave de ouro.
Eu tenho que admitir que a razão pela qual eu li esse livro foi por curiosidade mórbida. Eu queria muito saber quais eram as tais referências que estavam presentes em Six of Crows. Outra coisa que me motivou a ler esse livro foi uma coisa que o Thiago mencionou com relação ao comentário do tradutor com relação aos livros da Leigh Bardugo: o quanto a escrita dela tem melhorado com o passar dos livros. Eu acredito que não seja nem tanto com relação ao estilo de escrita em si, mas com a maneira como ela elabora os plots. Isso sim é uma coisa que você não pode deixar de notar comparando a trilogia Grisha com a duologia Six of Crows. Não tenho autoridade para falar de qualquer outra coisa que ela tenha escrito, mas só entre esses dois você já nota a diferença. Então, se o livro em si não foi uma experiência tão gratificante, ver como uma autora pode evoluir entre uma obra e outra vale a leitura.

E esses foram os três primeiros livros que eu li este ano. Ainda tenho MUITO livro sobre o qual quero falar, mas vamos por doses homeopáticas!

E quanto a vocês? Como estão indo as leituras do ano?

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