A “hora certa” de abandonar a leitura

26 de julho de 2017

(Disclaimer: a imagem do post veio daqui!)

“Mas Melanie, você não está escrevendo sobre exatamente o mesmo assunto do post do dia 16 de fevereiro?”

Não, caríssimo leitor inveterado, embora o assunto de hoje do post tenha a ver com aquele!

No post passado sobre este assunto, discorri um pouco a respeito dos motivos que me fazem largar uma leitura. Vocês escreveram respostas fantásticas sobre suas experiências pessoais e eu senti que eu ainda tinha mais algumas coisas para falar com relação a esse assunto. E a principal é: como saber o momento certo de se abandonar uma leitura?

Vocês mesmos devem ter visto diversos relatos, depoimentos e vídeos no YouTube de pessoas que largaram determinado livro porque estava muito chato, a leitura não estava rendendo, a história não estava indo pra frente… mas com tantas outras pessoas falando “agüente só mais um pouco, o livro melhora mais para a frente!”, como saber se a história vai ou não efetivamente ressonar com você em páginas posteriores?

A resposta (deveras anti-climática): não tem como saber. E essa é uma das questões que eu queria discutir com esse post.

Acredito que para todo o tipo de experiência pela qual você passa, existe um certo “risco” que você deve correr. E como estamos falando de livros aqui, para todo livro que você começar a ler, existe o risco de você não gostar dele… e também existe o “risco” de você se apaixonar por ele logo de cara. Ou pior: de você se apaixonar pelo livro só depois das 200 e tantas páginas. Uma grande vantagem de se adquirir o hábito de leitura é que este é o tipo de atividade que, quando feita com uma mente aberta e um olhar crítico, não vai te lesar de alguma forma. Se você acabar descobrindo um livro muito bom, o prêmio pela sua dedicação é o tempo gasto com algo que te divertiu. Se o livro que você escolheu for algo terrível, não, você não perdeu o seu tempo: você descobriu algo que não ressoou com você, por qualquer motivo que seja. Você ganhou experiência e o conhecimento de que aquele tipo de leitura não é para você. Como minha mãe costuma dizer, “tudo é aprendizado”.

Certo, mas digamos que você não queira se submeter a esse tipo de “experiência”. Para você, um livro ruim é um tempo mal gasto. Você está lá, gastando suas raras horinhas de leitura com algo que não está te deixando feliz. “As pessoas que leram esse livro disseram que ele melhora mais para a frente, mas eu estou achando um porre. Não agüento mais essa desgraça, eu me sinto miserável quando coloco os olhos nessas páginas!” Então, caríssimo leitor, é hora de parar de ler o livro.
“Mas você não acabou de me dizer que eu estou ganhando experiência lendo um livro ruim?” Não, o que eu estou dizendo é: você não perdeu o seu tempo se leu um livro ruim. Mas se você está no processo de fazer isso e acha que esse tempo dispendido não vai te levar a lugar nenhum, tem mais é que parar a leitura mesmo.
O meu ponto aqui é o seguinte: você deve parar a leitura quando achar que deve parar, independente se as pessoas te dizem que a história melhora a partir de um ponto X ou Y. Se você não está se divertindo com a leitura, essa atividade deixou de ser um lazer e se tornou um trabalho. A menos que você seja pago por isso, não vale a pena gastar seu tempo com ela quando você podia estar fazendo qualquer outra coisa que te deixa feliz ou até mesmo lendo algum outro livro que você efetivamente estava querendo ler.

E vocês? O que vocês acham disso? Vocês insistem em um livro que não lhes está agradando quando alguém diz que “o livro melhora mais para a frente”? Deixem-nos seus comentários!

  • Anna Bazanni

    Antigamente quando era mais difícil comprar livros por falta de tempo (lê-se falta de golpinhos) eu forçava mais a leitura. Se fosse realmente insuportável eu largava. Hoje em dia com a facilidade e a grande variedade que o Kindle me trouxe, além de ter acesso a resenhas de leitores que confio no julgamento, é bem difícil eu “perder tempo” assim.

  • Quando comprava mais livros físicos insistia na leitura até o fim, mesmo quando não gostava muito. Agora que leio no Kindle, não tenho tanta pena de largar um livro… Um e-book não fica “me encarando” o tempo todo como acontece com um objeto físico. É engraçado que com o digital a dor na consciência não é tão grande… Quem tem conta no Steam deve entender o que estou falando.

    Antes levava em consideração a opinião dos outros, mas hoje em dia vou pelo meu “feeling” mesmo.

  • Particularmente abandono sem ressalvas. Porém eu meio que gosto de tudo, até de coisa mal escrita, então é difícil me desagradar… Livros clássicos que estão chatos costumo prometer para mim mesma retomar no futuro – e isso funciona bem. As vezes o livro não é ruim, mas não é o momento de lê lo por n razões.

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