Minimalismo vs. livros – Parte 2

12 de julho de 2017

(Disclaimer: a imagem do post veio daqui!)

Em um dos nossos posts mais recentes do blog, mencionei que estou me desvencilhando de alguns livros em prol de uma melhora no meu estilo de vida: eu quero usar meu tempo livre fazendo coisas que eu gosto ao invés de gastar inúmeras tardes de finais de semana limpando estantes e tirando pó de livros. Para alguns, pode parecer um processo fácil. Para outros, nem tanto. E aí? Como estou me saindo?

Tenho que dizer que obtive sucesso ao me desvencilhar de vários livros que eu tinha certeza de que não ia mais ler. Não foi um processo muito fácil, mas para quem também estiver considerando dar um jeito na vida (e no tanto de tralhas em casa), o resultado é quase libertador. Foram duas caixas grandes e completamente lotadas que deixaram de fazer parte da minha vida para ajudar a construir a vida de alguém, e estou muito satisfeita com isso. No entanto, o processo não acaba por aí! O processo foi difícil? Hm… sim e não. Foi triste eu dar tchau para livros que sequer tinham sido abertos, mas quero acreditar que foi por uma boa causa.

Mas, como vocês já devem saber, minimalismo não se trata apenas de jogar fora um monte de coisa: o processo vai muito além disso. Sim, eu ainda estou avaliando livros e comics que eu tenho intenção de vender, mas outra grande questão que surgiu foi: como manter a quantidade de livros baixa? Como saber quando comprar a cópia física e quando comprar as mídias digitais?

Pelo bem da minha sanidade mental, o que eu tenho feito para me organizar nesses termos foi optar sempre, SEMPRE pela versão digital do livro, seja eBook, seja audiobook. Eu tenho noção de que audiobook não é opção para muita gente, mas se você também pensa em reduzir o número de livros da sua casa (por qualquer motivo que seja) e ainda não tem um eReader, talvez essa seja uma boa hora de pensar em investir em um. Eu ainda quero fazer um post dedicado a eReaders (mais especificamente o Kindle), mas a questão é: se você tem um eReader e não se importa em ler eBooks, não tem coisa mais prática. Por mais que eu goste de interagir com livros físicos, sentir o cheiro das páginas e passar os dedos pelas capas, eu precisei mudar o mindset para aceitar que o conteúdo que eu vou consumir, independente do meio, é exatamente igual. Chegar a esse desprendimento não é um simples processo de conformidade: você tem que ter a mente aberta para aceitar que, sim, a experiência que você vai ter com livros físicos, eBooks e audiobooks será diferente. Novamente, cabe a você decidir se você está disposto a manter essa experiência pelo preço de ter coisas a mais ocupando um espaço físico na sua vida.

Algumas perguntas que eu tenho feito a mim mesma muito freqüentemente durante esse período de seleção são:
1. Eu pretendo reler este livro ou eu estou me apegando à experiência que tive quando o li pela primeira vez?
2. Este é um livro a que eu quero voltar mais vezes?
3. Eu uso este livro para referências ou para fazer algum tipo de consulta?

É mais fácil falar do que fazer tudo isso, mas essas três perguntinhas de ouro ajudam muito na hora de decidir se você deve ou não se desfazer daquela linda edição de colecionador de um livro pelo qual você não tem interesse algum em ler, mas que fica maravilhoso em destaque naquela sua estante. E isso é uma questão bastante importante com relação ao minimalismo: ele não impõe um despacho completo de todos os bens físicos que você possui. Uma coisa que os minimalistas costumam repetir à exaustão é: se um determinado objeto te faz feliz, então mantenha-o por perto; minimalismo não se trata de ter uma quantidade X ou Y de bens, e sim de você se desapegar de tudo que não está te trazendo felicidade.

OK, falei um monte de coisa nesse post, mas a pergunta ainda ficou: como eu estou me saindo? E a resposta é: eu estou me saindo muito bem. Eu repassei por vários dos livros que eu tinha dito que queria manter na minha vida e cheguei à conclusão de que me desfazer deles na verdade vai ser muito melhor do que deixá-los pegando poeira nas caixas. Eu tentei seguir aquele princípio de deixar em uma caixa e selar; se eu não abrir a caixa por mais de um mês, é hora de se livrar da caixa. Não cheguei ao extremo de me livrar de caixas inteiras de livros sem ver o que tinha lá dentro, mas eu as abri e acabei encontrando mais coisas que me deram lembranças muito boas na época em que as adquiri, mas que eu acredito que terão muito mais serventia em outras mãos.

Então, a saga continua. Estou relendo alguns mangás para matar as saudades antes de me desfazer deles, sabendo que eles tiveram alguma parte na formação da pessoa que sou, mas também com o conhecimento de que eles vão fazer isso na vida de outra pessoa.

E quanto a vocês? Mais alguém está considerando se desfazer dos livros para ter um pouquinho mais de espaço na sua vida? Deixem-nos seus comentários!

Copyright Agentes do L.I.V.R.O. © 2014-2017