Minimalismo vs. livros – Parte 1

17 de maio de 2017

(Disclaimer: a imagem do post veio daqui!)

Nessas últimas semanas eu tomei a decisão de aderir ao estilo de vida minimalista. Não necessariamente por eu sentir que a minha vida está bagunçada, mas porque eu sinto que no decorrer da minha vida eu acabei juntando muita coisa que está só juntando poeira e ocupando espaço na minha casa. Infelizmente isso acaba incluindo livros também. Por mais que eu ache que uma casa lotada de livros seja algo esteticamente maravilhoso, este é um estilo de vida que simplesmente não posso ter: o tempo que eu poderia utilizar para fazer coisas que eu gosto ou que melhorariam grandemente minha produtividade (incluindo escrever quinzenalmente para o blog, como eu tinha prometido) estava sendo gasto com horas a fio limpando estantes e tirando poeira de livros. E como se não bastasse isso, eu ainda estava guardando muitos livros que comprei há anos e até agora não li. Ou mesmo com livros que eu li uma vez, não gostei muito, mas dos quais também não me desfiz.

Assim sendo, eu respirei fundo, tomei coragem e, após uma tarde de domingo assistindo a vídeos de dicas sobre minimalismo, tirei TODOS os livros das estantes, coloquei todos eles no chão, fiz uma playlist bem longa no iTunes para me entreter durante o processo e fui separando tudo. Primeiro, separei tudo em pilhas de livros lidos e não lidos. Dos livros já lidos, peguei um por um e me questionei: eu gostei da história o suficiente para querer ficar com ele e reler muitas e muitas vezes?

Somente essa primeira parte do processo já reduziu significativamente o número de livros que eu tinha. Grande parte estava em bom estado (mesmo porque eu cuido bem das minhas coisas) e seria muito triste jogar tudo fora, então juntei tudo em uma grande caixa e coloquei para vender no sebo.

Em seguida vieram as partes difíceis: os livros que eu ainda não li. Nessa hora eu precisei de sangue frio para passar pelos livros não-lidos um a um e me perguntar: “eu pretendo ler este livro ainda esta semana? Este mês? Este ANO?”. Se o livro está intocado na minha estante há mais de cinco anos e eu ainda não o peguei para ler, será que vale a pena mantê-lo comigo? Nesta etapa do processo eu vi, com dor no coração, o tanto de livros que eu comprei porque estavam em promoção ou porque na época em que eu os adquiri o assunto era de meu interesse; a única coisa que me passou na cabeça durante o processo de destralhamento foi “olha o tanto de dinheiro que eu podia ter gasto em coisas muito melhores”.

O processo não acabou por aí. Até então estava “fácil”, né? Tenho agora uma pilha de livros que vendi para o sebo e outra que eu supostamente quero manter.

Supostamente. Essa é uma palavra meio perigosa quando você está querendo destralhar suas coisas.

Aí, cheguei na parte realmente difícil: me desvencilhar dos livros que têm um apelo emocional para mim.

Quem nos acompanha no Instagram deve ter percebido que eu postei várias fotos da série de mangás Fushigi Yuugi. Eu tinha a série completa desde quando eu tinha 17 anos e, desde que completei a coleção, nunca pensei em relê-la. Então, antes que pudesse mudar de idéia, liguei para uma boa amiga e perguntei se ela queria os mangás. Como eles também fizeram parte da adolescência dela, ela os aceitou de bom grado. Até aí tudo bem, fiquei feliz em saber que eles teriam uma casinha nova e uma dona que com certeza vai cuidar bem deles. Fantástico, porque eu tentei reler o mangá conforme fui postando as fotos no Instagram e simplesmente desisti, porque reler o mangá com um pouco mais de maturidade me fez ver diversos problemas na história em si (inclusive, não o recomendo para ninguém, ao menos que você queira usar os desenhos como referência).

Mas mesmo assim ainda me sobraram muitos e muitos mangás e livros e comics, e agora foi ficando mais difícil me livrar deles. Tem muitas coisas que eu comecei a reler e não consegui deixar de me perguntar várias e várias vezes se eu realmente queria me livrar daquilo. Tem coisas que eu juro de pés juntos que eu quero reler, mas aí eu lembro de todos os livros que já adquiri este ano e fico me perguntando se a releitura é algo que vai ou não acontecer num futuro próximo.

A conclusão que eu posso tirar de tudo isso é algo que todo mundo já sabe: é difícil você se desvencilhar de coisas que fizeram parte de sua vida por tanto tempo. Também é bem complicado você parar de se martirizar por ter gasto tanto dinheiro com produtos que você não consumiu. Ou com coisas que você quer acreditar que vai consumir no futuro. Mas também quero acreditar que o primeiro passo é sempre o mais difícil, e que sair da sua zona de conforto não significa pular de pára-quedas de um avião em movimento ou desbravar a floresta amazônica usando uma faca de manteiga e uma garrafa de detergente. Às vezes sair da sua zona de conforto envolve muito menos do que isso, seja indo para o trabalho por um caminho diferente do que você costuma pegar, acordar mais cedo para fazer exercícios ou vendendo livros que você não sabe por que ainda estavam nas suas estantes.

E vocês? Já precisaram passar por alguma situação parecida? Existe algum livro do qual vocês não se desvencilhariam nem com reza brava? Deixem-nos seus comentários!

  • Hiale

    Dificílimo tomar essa decisão. Mas tenho usado muito dela ultimamente, principalmente pq moro em apt e ainda estou na faculdade, ou seja, não tenho nem muito tempo, nem espaço e muito menos dinheiro. Mas amo livros e eles merecem minha dedicação.
    Acontece que é impossível gostar de tudo que já li e e pior reler tudo que gostei. Por isso volta e meio faço uma limpa e separo pra vender no sebo ou doar mesmo.
    Só nunca me desfiz de livros que comprei e não li, pq nunca junto muito livro sem ler e eu acho que no máximo deixo ele na fila por dois anos. E nesse meio tempo meus interesses ainda são basicamente os mesmos.

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