O episódio de hoje é especial à todas as nossas ouvintes mulheres. Hoje (tudo bem, quase sempre), são as mulheres quem mandam!

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  • Timóteo Rezende Potin

    Fala Agentes! Antes de mais nada, Feliz Dia da Mulher tanto para a Agente Melanie quanto para todas as ouvintes do Cast.
    Como de costume, sou obrigado a concordar com praticamente tudo citado no cast. Acho um absurdo, principalmente nos gêneros de Fantasia e Ficção Científica que exista preconceito de gênero para com as mulheres (na verdade é um absurdo haver qualquer preconceito em qualquer ambiente). Principalmente no caso da ficção científica que é um gênero basicamente fundado por uma mulher, a já citada no cast, Mary Shelley (Frankenstein é um clássico do horror, mas se não me engano é considerada também a primeira ficção científica escrita) e, ao longo do sua evolução sempre teve a mão de diversas autoras. Pra citar algumas das mais importantes só de cabeça agora vem Ursula Le Guin, Margaret Atwood e Marion Zimmer Bradley (que mesmo com todos os problemas dela, é inegavel dizer que ela foi uma voz ativa a favor da inclusão de mulheres no círcuito literário, inclusive ajudando a projetar a carreira de várias se não me engano). Na fantasia também tem inumeros exemplos: Earthsea Cycle, da própria Le Guin, é considerada por muitos a segunda obra de fantasia mais influente do séc. XX, perdendo apenas para O Senhor dos Anéis. Temos The Dragonriders of Pern, da Anne McCaffrey, pra não contar gigantes mais modernas como JK Rowling e Robin Hobb. Enfim, não dá pra entender. Como disseram no cast, é uma atitude simplesmente burra.

    Um ponto específico que eu queria citar é quando o Thiago fala sobre não importar em nada na escolha do livro o sexo do autor ou do personagem principal. Eu sou obrigado a dizer que eu pensava assim também até o ano passado, mas um livro específico meio que me fez repensar. Eu explico: Quando eu terminei de ler The Killing Moon, da N.K. Jemisin, eu fui pesquisar alguma coisa sobre ela no Google e, vi uma foto dela e descobri que a autora era negra. Até aí nada de mais, mas eu parei para pensar e fui revirar a minha lista de livros lidos para matar a seguinte curiosidade: Quantos autores negros eu já li até hoje? E cheguei a triste conclusão que, além da Jemisin, o único autor negro que eu havia lido era Machado de Assis (que não era exatamente negro, era pardo). E eu fiquei pensando que, sem nunca me preocupar com isso, eu tinha chegado em espectro de autores já lidos em que cerca de 85% eram homens e mais de 95% brancos. Na época eu fiquei quase indignado com esse dado. Desde então, sempre que eu vejo autores (e principalmente autoras) não-caucasianos eu meio que me sinto na obrigação de tentar ler para tentar equilibrar minimamente esse espectro (óbvio, se eles escreverem sobre algo que seja minimamente do meu interesse, não vou ficar indo atrás de assuntos que não me despertam curiosidade).

    E já que eu falei sobre a N.K. Jemisin, VCS PRECISAM LER ESSA MULHER! (sim, caixa alta e tudo!)
    Não sou nenhum especialista na obra dela não, na verdade ainda estou começando a ler (mas já pretendo ler tudo), mas ela é uma mulher afro-americana que escreve fantasia geralmente tendo como base culturas africanas e geralmente usa como protagonistas mulheres. E, se isso não for suficiente para convencer vcs, o próprio Sanderson tem um texto em algum lugar na internet onde ele analisa o perfil de diversos escritores e, segundo ele, a única escritora dessa “atual geração” de escritores de fantasia que consegue competir em prosa com o Pat Rothfuss é a própria Jemisin. Além disso ela ganhou o Hugo de melhor livro do ano passado.

    Enfim, obrigado pelo bom trabalho! Abraços!

  • Isa Prospero

    Como eu adoro ouvir vocês falarem de representatividade e diversidade na literatura e saber que eu só vou concordar com tudo <3
    Aliás, fica uma dica de leitura que daria um episódio foda: The Fifth Season, da N.K. Jemisin. Acabei de ler e tem protagonistas femininas, diversidade de várias formas e um worldbuilding muito louco (que lembra um pouco Sanderson em alguns aspectos). Quando terminar a resenha completa posto o link pra vcs, acho que gostariam (e vai sair em português pela Morro Branco em algum momento!).
    Beijos!

    • Se tem uma coisa que eu estou tentando desesperadamente é trazer mais diversidade para o cast, então eu sempre tento falar de pelo menos um livro em que os protagonista não seja o padrão macho-branco-cis em todos os episódios. É incrível como o mercado está cheio de livros assim, mesmo quando eles são escritos por mulheres!

      Eita, você e o Timóteo combinaram os comentários? XD Ele tinha feito exatamente a mesma recomendação, mas não sei o que diabos houve com o Disqus que o comentário que ele fez desapareceu. Ainda bem que temos backup. Mas OK, vou importunar o Thiago para ver se a gente combina ou de comentar a respeito do livro em alguma sessão do que estamos lendo ou de fazer um episódio sobre ele! :B

      Adendo: A Canção de Aquiles já está na minha lista e dará as caras em breve por aqui! :3

      • Isa Prospero

        Haaaa eu não tinha lido o comentário dele! 😀

        E aguardo seus comentários sobre A canção de Aquiles <3

  • Gabriel Augusto

    Uma vez vi um post no facebook pergunrando quantos autores africanos já tinha lido, e respondi o seguinte “E lá vou eu saber a nacionalidade do autor que estou lendo ?”, para mim não importa se é branco, negro, indígena, mulher, asiático ou seja lá o que for, se me interessar ou alguém recomendar eu vou ler simples assim. Mas devo confessar que se é um livro desconhecido e é uma mulher que escreve eu fico com um pé atrás pois é comum que as vezes tenha romance que é algo que não curto muito, aí leio a sinopse se não tiver vai para tbr, pode parecer um pouco de preconceito mas é que é mais normal se ver romance em livros escrito por mulheres, e a verdade é que não sei o porque disso.

    • Olá, Gabriel!

      Eu teria pensado da mesma maneira há alguns anos: “não importa a cor de pele do autor, se o livro for bem escrito, eu vou ler!”. No entanto, conforme eu fui me expondo a diversas diferenças culturais, eu fui entendendo a importância da diversidade no meio literário. Um autor negro/asiático vai retratar seus problemas diferentemente de um autor branco. Um autor de cor vai ver problemas como o racismo de maneira diferente. E é justamente por isso que tem se tornado importante, ao menos do meu ponto de vista, procurar autores de gêneros, nacionalidades e orientações sexuais diferentes. Muito se tem falado na expressão “own voice”, ou seja, quando a “voz” do autor é a mesma da pessoa que está contando a história. Por que isso é importante? Porque é bastante comum a idéia de que “as pessoas só prestam atenção no problema quando é um homem falando”. Eu acho que é importante que as pessoas pertencentes a determinadas etnias, gêneros ou orientações sexuais sejam ouvidas quando elas contam as histórias e problemas delas.

      Agora, com relação a autoras mulheres, o que você comentou é exatamente o motivo pelo qual existem muitas pessoas que não lêem obras escritas por mulheres! “Ah, esse livro foi escrito por mulher, então tem romance! Não vou ler!”. Este foi outro motivo pelo qual quisemos fazer um episódio dedicado a mulheres neste meio (inclusive, a problemática que você mencionou também foi algo que discutimos no episódio 59 – Preconceitos Inconscientes): nós realmente gostaríamos de desmistificar esse mito de que mulheres só escrevem livros de romance. Da mesma forma que mulheres podem escrever diversas histórias cujos focos não sejam relacionamentos (vide Mary Shelley, Robin Hobb, Madeline Yen Mah, Alice Walker, Lian Hearn, J.K. Rowling, Gillian Flynn, Chimamanda Ngozi Adichie), homens também escrevem livros de romance (vide Nicholas Sparks e o próprio John Green. Se for considerar histórias cujo foco não seja romance, mas que ele esteja presente, o próprio Brandon Sanderson entra na categoria!). Talvez o problema esteja na maneira como os livros são vendidos pelas mídias populares?

  • Marco Antonio de Oliveira Sant

    Olá Tiago e Mélanie, ouço sempre no aplicativo, por isso nunca lembro de comentar. Eu ganhei o 1º Mistborn (em português chama Mistborn – nascido da bruma (???)) e achei interessante, mas aí descobri que o Brandon Sanderson era mórmon e doei o livro. Acho que eu não ia também querer ler toda hora a magia deles: pra mim queimar metal é queimar metal e não comer metal hahahaha. Se fosse pra comer metal eu falaria comer metal, não queimar metal hahaha. Faz tempo que eu não leio fantasia, estou lendo mais ficção científica. O Stephen King eu nunca li nada, vou começar a assistir os filmes e séries dele, que nem Under the dome. Também nunca ouvi um audiobook. Por favor, quais são as trilhas sonoras que tocam nos programas, como aquela trilha sonora épica, aquela outra de ação, aquela trilha sonora de suspense… essas aí são todas instrumentais… eu preciso dessas trilhas sonoras…

    • Olá, Marco!

      Uma coisa que me despertou o interesse no seu comentário: por que descobrir que o Brandon Sanderson é mormon fez você querer doar o livro?

      Com relação ao livro Mistborn, no meu ponto de vista, “queimar metal” não está completamente incorreto visto que, a partir do momento da ingestão do metal, o próprio organismo se encarrega de metabolizar o que foi ingerido e processar as propriedades do metal para produzir o “output” necessário (no caso específico do livro, a energia manifestada sobre outros objetos metálicos). Da mesma maneira que na própria química segue-se o princípio de que “nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”, o sistema de magia criado por Sanderson obedece a essa lei. Na verdade, não precisamos nem ir tão longe: se você ingere um alimento, o que acontece com ele? Ele é absorvido pelo seu organismo, que “queima” as calorias consumidas para produzir energia. Ou seja, na prática você “queima” a comida!

      Sem ir tão a fundo na questão, “queimar” o metal é apenas a terminologia utilizada pelo autor para que a sonoridade da expressão não soasse tão plana, mas entendo por que alguém não gostaria da expressão!

      • Marco Antonio de Oliveira Sant

        Oi, então, eh q eu tenho preconceito com mórmons…

        • Felipe Proto

          Marco,

          Ao manter o preconceito é que você erra.
          A igreja Mórmon é certamente​ cega e ruim para o avanço da humanidade como instituição; mas PESSOAS não, até que se prove o contrário.
          Ao dar o livro simplesmente por que o autor é Mórmon, você está piorando o seu preconceito. Talvez a série seja boa? Talvez os preceitos religiosos do autor não estejam presentes nela – ou até estejam, mas de maneira aceitável? Mas você descartou o autor como pessoa pois ele acredita numa religião – e nem sabemos quanto dos preceitos religiosos ele segue. Descartar as pessoas e suas obras pelo que elas acreditam, e não pelo que fazem, é tão errado quanto aceita-las só pelo que acreditam.

  • Leandro Debacco

    Olá Melanie e Thiago. Conheci o podcast de vocês recentemente e já me identifiquei. Por causa de vocês eu tenho uma fila de leitura de mais de 20 livros sem previsão de término xD. Sobre o tema, eu tenho muito interesse em personagens femininas, coisa que só foi saciada com Game of Thrones (os livros). E na procura por personagens femininas fortes (por que não fiquei nem um pouco a fim de ler a saga Divergente, Crepúsculo não consegui ir até o final e Jogos Vorazes foi meio que morno pra fim) eu aceitei a dica de vocês e estou com 4 livros do Brandon Sanderson dentre esses 20 que tenho pela frente. Elantris e a Primeira Trilogia de Mistborn (admito que quando eu vi o nome deixei de lado na primeira oportunidade de compra, pois achei que se tratava de outra saga fantástica meia boca kkkkk) que são os únicos livros dele lançados no Brasil e espero ansioso pela tradução de Stormlight Archive que vocês venderam muuuito bem para mim no entusiasmo em cima dessas personagens mulheres fodas. Eu amo fantasia e procuro sempre ler os clássicos, mas estes sempre tem como protagonista os homens. E procuro nessas novas perspectivas, pontos de vista realmente diferentes da minha realidade como homem.

    No futuro eu pretendo escrever uma obra de fantasia, um ode a tudo que eu amo nesse gênero e através desses ponto de vistas eu pretendo construir personagens femininas realmente memoráveis, que possam ser donas de si e que não dependem de nós homens como seu bastião de sobrevivência. Claro que terá homens na história, mas desses eu conheço bem kkkkk. Por isso essa minha ânsia por personagens femininas fortes e eu aceitaria umas sugestões de obras que fazem jus as mulheres, tanto como heroinas quanto vilãs, já que na história que tenho em mente, teremos uma vilã que eu tenho a ambição de transformá-la na maior da literatura fantástica brasileira xD. Desde já agradeço por ler esse textão de facebook e continuem o trabalho maravilhoso que vocês fazem nesse cast que realmente se diferencia até dos grandões da internet brasileira de uma forma muito positiva.

    Ps.: Espero num futuro próximo mandar algum material para vocês avaliarem, se não se importarem é claro. xD

    Abraço.

    • Fala, Leandro!

      Que bom que temos acertado nas recomendações! Estamos curiosos para saber quais das sugestões você vai gostar!

      Eu diria assim… Divergente tem muito potencial no começo. Insurgente cai um pouco e Convergente… eu não sei por que diabos aquele livro existiu. E digo isso em termos de história; a Tris foi uma personagem mais ou menos para mim, mas boa o suficiente para me fazer querer ler o resto da série. Crepúsculo também não rolou pra mim, mas Jogos Vorazes eu tinha gostado bastante na época em que li.

      Agora, com relação a Stormlight, sugiro que leia com calma (e, se puder, leia até outros livros do Sanderson antes). Sempre escuto opiniões divididas a respeito dele: ou as pessoas se apaixonam por ele, ou simplesmente não conseguem terminar, e eu não as condeno. Digamos apenas que as mulheres da história fazem faler a pena!

      No mais, aguardamos ansiosos por mais notícias da sua história! 😀

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