Abandonando leituras

15 de fevereiro de 2017

(Disclaimer: a imagem do post veio daqui!)

O ano mal começou (gigantesca mentira, já estamos na metade de fevereiro) e eu já abandonei duas leituras. Se eu tivesse feito isso há alguns anos, acho que eu jamais me perdoaria. Eu já fui o tipo de pessoa que preferia perder tempo com um livro ruim a abandonar uma leitura pela metade. Os anos se passam, as prioridades mudam e, com isso, a maneira de enxergar o mundo também.

Eu já mencionei algumas vezes nos podcasts que não tenho escrúpulos: quando um livro não me agrada, eu abandono a leitura mesmo. Já recebi diversos comentários do tipo:
1. Mas e se você estiver perdendo uma história que fica fenomenal mais para a frente?

2. Eu não consigo abandonar uma leitura, mesmo que ela esteja ruim. Sou completista!
3. Você pode estar perdendo uma mensagem incrível!
4. Você se entrega fácil assim?
5. Você não se sente incomodada?

Há alguns anos, sim, eu me sentiria incomodada abandonando uma leitura. Era como se eu estivesse sendo injusta com o autor, como se eu estivesse traindo meus próprios princípios.
Eu e o Thiago já discutimos esse lance de abandonar a leitura diversas vezes no podcast, e o Thiago levantou um ponto que eu acho muito válido: quanto vale o seu tempo livre?

Existe uma diferença muito grande entre resenhar um livro por obrigação e ler porque você gosta da atividade. Eu sou muito grata por ter um emprego ótimo que me paga o suficiente para eu pode escolher o que eu quero ou não ler e não precisar depender de ficar fazendo resenhas de livro. Ao mesmo tempo, eu sou uma pessoa que geralmente sabe o que quer fazer, e uma coisa que eu tenho certeza que eu NÃO quero fazer é perder meu tempo livre fazendo coisas que eu não gosto. Por mais que eu goste do meu trabalho, são de 9 a 10 horas por dia que eu passo na labuta. Depois de muito esforço, consegui ajustar minha vida de tal maneira que pelo menos 7 horas de sono por dia estão garantidas e são sagradas. Chute mais umas três horas por dia que eu preciso usar para cuidar das minhas necessidades básicas, como saúde e alimentação e quanto tempo livre me sobra por dia? 4 horas! Dessas 4 horas livres, pelo menos uma eu passo estudando, geralmente para algo relacionado ao trabalho. Some a isso pelo menos mais uma hora que eu faço questão de dedicar à minha família. E aí? São 2 horas livres por dia, no melhor caso possível. Não, eu não passo duas horas por dia lendo, eu tenho outros hobbies também. Eu gosto de jogar video game, eu gosto de desenhar, eu gosto de escrever. Lembrem-se que eu também trabalho na edição do podcast e sempre tento manter o blog atualizado! Será que vale a pena mesmo gastar as poucas horas que me sobraram com um livro que não está me agradando?

Eu acho que já se passou a época de me forçar a ler coisas que eu não gosto porque o meio acadêmico me exige isso. Meu tempo livre é curto, raro e uma das poucas coisas que o dinheiro não pode comprar (até pode – já fiz bastante hora extra na minha vida!). Pelo menos no que diz respeito a como eu gasto meu tempo livre, eu faço questão de otimizá-lo tanto quanto é possível, e isso inclui a satisfação que sinto em minhas leituras! O personagem é chato, o plot não faz sentido, a escrita não me agrada? Abandono a leitura sim, sem dó nem piedade! Existem muitos livros bons saindo toda hora, existem milhares de autores bons esperando serem descobertos e a minha lista de livros para ler só aumenta a cada dia. É neles que eu quero investir meu tempo.

Mas afinal de contas, o que me faz deixar um livro de lado? Qual é o critério que me faz parar de ler alguma coisa ou continuar a leitura?

Um dos fatores mais importantes para mim são os personagens que estão conduzindo a história. O plot pode ser fantástico, o universo pode ser incrível, mas se eu não tiver o mínimo de empatia pelo protagonista (ou por quem o estiver acompanhando), pode ter certeza que as chances de eu largar o livro são grandes. Esse é um motivo extremamente forte para mim, mas que obviamente não funciona com todo mundo. Conheço muita gente que aturou protagonistas insuportáveis porque o universo foi muito bem construído ou porque a idéia do livro é muito original ou porque o estilo de escrita do autor te compele a continuar lendo. Eu mesma já aturei protagonistas chatos porque todo o resto do livro estava interessante.

Outra coisa que pode me fazer largar o livro é o fluxo da história. Se eu sentir que ela não está indo para lugar nenhum, é bem possível que eu não vá chegar até o fim dela.

Enfim, gosto é gosto e cada um tem o seu. Como sempre menciono de maneira quase exaustiva aqui no blog, ler é um hobby, mas pelo menos para mim, precisa ser uma atividade prazerosa.

E quanto a vocês? Vocês também abandonam o livro quando ele não está agradando ou, como todo bom capitão, afundam com o navio? Deixem-nos seus comentários!

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