A importância de ser crítico

4 de janeiro de 2017

(Disclaimer: a imagem do post veio daqui!)

Bem-vindos de volta, caríssimos leitores inveterados! Esperamos que vocês tenham passado um ótimo final de ano… e que vocês estejam tão ansiosos quanto nós para as leituras que estão por vir em 2017!

E para abrir o ano polemizando com chave de ouro, estou afim de falar um pouco sobre mais um vídeo que eu vi no canal All About That Book (porque vocês sabem que eu adoro os vídeos de discussão da Mayra), em que é discutida a importância de ser crítico com o que gostamos. Na verdade isso é algo importante independente do que estejamos falando: sejam livros, filmes, música, jogos ou até mesmo pessoas, mas vamos focar sobre livros neste post.

Acho que a melhor maneira de começar a falar sobre isso é dizendo que vocês já devem estar cansados de saber que nós do Agentes do L.I.V.R.O. não temos problema nenhum em criticar tudo que é tipo de livro, inclusive os que nós amamos. Quantas vezes vocês já nos escutaram descendo a lenha em um livro que nós gostamos? Posso nomear alguns episódios em que já fizemos isso (vide os episódios de Warbreaker, Elantris e até mesmo o terceiro livro da série Mistborn) e, não surpreendentemente, algumas pessoas chegaram a se sentir ofendidas com o que falamos, mesmo depois de afirmarmos repetidamente que nós gostamos dos livros.

E é aí que começa o ponto de discussão: qual é a linha que separa o momento em que nós concordamos com uma decisão do autor porque ela foi a coisa certa a se fazer e o momento em que concordamos com qualquer coisa que ele faça, independente se ela seja certa ou não?

Eu acho que, no papel de seres humanos perfeitamente racionais, existem duas coisas que são essenciais a todos nós:
1. Nós temos o direito de termos nossas próprias opiniões e
2. Nós temos a obrigação de respeitar a opinião alheia.

Uma coisa que pregamos fortemente aqui no AdL desde o começo foi que, não importa o quão diferente a sua opinião seja da nossa, nós vamos respeitá-los. Isso, no meu ponto de vista, ficou bem claro no episódio que fizemos sobre o livro O Aprendiz de Assassino, da Robin Hobb, que foi um dos episódios mais interessantes no que tange opiniões divergentes. A situação aqui foi exatamente o que a Mayra falou no começo do vídeo: nós queremos gostar dos livros que vamos ler. Não tem um único livro que tanto eu quanto o Thiago tenhamos lido que a gente não tivesse pego sem vontade de ler, caso contrário nós realmente não nos daríamos ao trabalho de lê-lo. No entanto, existem certos livros, certas histórias, certos personagens que simplesmente não ressoam conosco, independente do quanto a gente tente gostar de todos esses elementos.

Outro ponto importante é que, independente do quanto gostemos de um determinado autor ou de uma determinada série, nós JAMAIS vamos deixar de criticar coisas que achamos que podia ser melhor. Vocês sabem que gostamos muito de Stephen King e de Brandon Sanderson, mas vocês jamais nos verão dizendo que gostamos ou mesmo aceitamos um livro que não esteja de acordo com nossos princípios morais. Eu mesma, sendo fã ferrenha do Brandon Sanderson, dei duas estrelas de cinco ao conto Perfect State porque fiquei realmente decepcionada com a maneira como o autor desenvolveu a personagem feminina da história. Isso não me fez gostar menos do autor, tampouco fez de mim uma pessoa menos íntegra por ter feito uma crítica um pouco mais pesada com o conto. Da mesma forma, eu sou apaixonada desde sempre pela série dA Torre Negra do Stephen King, mas detestei o livro Dreamcatcher porque eu sei que o King é capaz de escrever coisa muito melhor do que isso. Mas, novamente, isto é a minha opinião. Tem gente que gostou de Perfect State, tem gente que gostou de Dreamcatcher e eu estou de boas com isso. O fato de eu não ter gostado das duas obras não vai me fazer mais ou menos fã de nenhum dos autores.

Um fato que muitas pessoas parecem se esquecer é que os autores/escritores também são seres humanos. Eles estão propensos a cometerem erros em suas carreiras, como todo mero mortal. Um autor pode ser muito bom no que faz, mas independente do que as pessoas possam dizer ou pensar, eles também podem fazer ou dizer coisas deploráveis. Cabe a nós, leitores, saber separar a admiração da aceitação cega. Afinal de contas, somos nós os responsáveis por levar um autor até onde eles estão hoje. Às vezes, para admirar plenamente alguma obra, é necessário tirar o autor do pedestal em que geralmente o colocamos e olhar mais atentamente para o tipo de informação que estamos consumindo.

E quanto a vocês? Vocês concordam com o que eu e a Mayra pensamos ou é o contrário? Será que devemos defender com unhas e dentes aquilo que gostamos, mesmo que esteja incorreto porque é só assim que se prova o quanto se é fã de alguma coisa? Deixem-nos seus comentários!

Copyright Agentes do L.I.V.R.O. © 2014-2017