Como eu organizo minhas leituras

31 de agosto de 2016

Quem me acompanha no Goodreads ou mesmo pelo Twitter sabe que eu não sou uma pessoa que lê um único livro por vez e eu tenho que dizer que eu não fui sempre desse jeito. Antes de começar a escutar audiolivros, eu tinha o mesmo hábito do Thiago de não começar a ler um novo livro a menos que tivesse terminado o livro anterior, por pior que ele fosse.

Conforme os anos foram se passando e meu tempo livre foi se tornando cada vez mais escasso, eu acabei deixando esse pensamento de lado para adquirir um hábito que se adequasse melhor às minhas necessidades atuais: como eu não tenho muito tempo livre depois do meu trabalho, passou a não fazer sentido eu dispender tanto tempo com um livro que eu não esteja gostando tanto. Meu amadurecimento como pessoa me fez perceber que tempo é um recurso escasso e a cada dia mais caro, e o tempo livre que eu tenho eu prefiro gastar com coisas que me divirtam de fato. Isso até explica (ou ao menos deveria) o fato de eu praticamente só falar de livros do gênero Fantasia no podcast: é o meu gênero preferido e o que eu mais gosto de ler. Se eu deveria ler mais coisas/coisas mais diferentes? Hm… talvez. Eu não gosto de ser tão assertiva com relação com isso. Acho que é importante que todo mundo tenha contato com diferentes tipos de divisões da área literária, mas não acho que isso devia ser uma obrigação, sobretudo quando você passou daquela época da sua formação em que você é obrigado a consumir um tipo de informação sobre a qual você não tem interesse ou afinidade, mas isso é outra história.

De qualquer maneira, eu comecei a consumir diferentes tipos de literatura de uma só vez: inicialmente eu lia um livro físico qualquer ao mesmo tempo que escutava um audiobook. Um amigo meu disse algo interessante a meu respeito: “você até consome tipos diferentes de literatura ao mesmo tempo… contanto que eles estejam em mídias diferentes”. E, de fato, eu notei que esse padrão comportamental se estendia não só para livros, como também para jogos: eu nunca vi problema em jogar vários jogos ao mesmo tempo… contanto que eles estivessem em consoles diferentes.

Entra a época do podcast, em que finalmente tomamos a iniciativa de fazer os podcasts e a necessidade de consumir mais tipos de literatura com uma velocidade um pouco maior acabou sobrepujando a minha meta inicial: a de não iniciar uma nova leitura antes de concluir a anterior. Como resultado, se você for espiar o meu status no Goodreads ou no Skoob, vai perceber que eu estou lendo seis livros ao mesmo tempo.

Mas afinal de contas, como eu consigo ler tantos livros ao mesmo tempo sem me perder em nenhum deles?

Bom, para falar a verdade, acho que um dos motivos pelos quais eu leio tantos livros é porque um deles não está interessante o suficiente para me prender a atenção por tanto tempo. Isso não quer necessariamente dizer que ele é ruim ou chato, mas que talvez o compasso dele seja um pouco mais lento, ou que ele é muito grande. Isso significa que se eu gastar muito tempo só nele, eu vou sentir que não estou fazendo progresso algum na leitura e vou acabar me desanimando com ele e entrando no famigerado “reading slump”. Quando você precisa gerar conteúdo com uma periodicidade regular, isso é um grande problema.

Durante esses últimos meses, eu tenho desenvolvido métodos diferentes para ler diversos livros ao mesmo tempo sem que o progresso (ou a falta) de um não afete o progresso do outro. Para isso, eu faço uma divisão relativamente uniforme das minhas leituras. Cada livro que eu leio é geralmente de um gênero diferente e cada um é lido em momentos diferentes do dia. Ao menos para mim, existe uma lógica para justificar minhas decisões. Vejam só:

Eu geralmente reservo os audiobooks para translados casa/trabalho/curso. Se eu me encontro em alguma situação em que eu preciso prestar atenção nos meus arredores, pode ter certeza de que eu estarei escutando um podcast ou um audiobook.

Os eBooks eu guardo para aqueles momentos em que eu quero ler um pouco antes de dormir. Eu prefiro, sem sombra de dúvidas, ler a cópia física de um livro quando estou em casa, mas antes de dormir eu geralmente leio deitada, então segurar um livro físico costuma ser inconveniente e incômodo (todo mundo já derrubou o livro na cara enquanto lia deitado, digam a verdade). Isso sem contar que usar um leitor de eBooks é bastante conveniente no inverno: você pode manter os dois braços sob as cobertas e a luz ligada.

Com relação aos livros físicos, eu geralmente faço outra divisão: quando eu estou escovando os dentes, por exemplo, eu costumo ler mangás, pois eles são leves e fáceis de manusear. Quando eu posso ficar sentada na minha mesa, eu leio livros físicos, visto que posso apoiá-los na mesa. Também tenho o hábito de sempre levar algum paperback na mochila para ler em meios de transporte. Eu sou uma daquelas pessoas que acredita que sempre existe um momento no dia em que você vai ficar no vácuo completo. Escutar audiobook em meio de transporte público não é muito bacana: às vezes você tem a infelicidade de sentar ao lado de uma pessoa que jura que é necessário falar bem forte no telefone para que o receptor da ligação escute com clareza o que está sendo dito. Outras vezes tem algum motoqueiro que acha que é uma boa idéia roncar o  motor de sua motoquinha 50 cilindradas o maior número de vezes possível para se assegurar de que você está prestando atenção na super máquina tunada que ele comprou. Nesses casos, o livro físico é um salvador de vidas: se você não pode escutar o livro, você ao menos tem a liberdade de lê-lo! (isso, é claro, assumindo que você consiga uma posição favorável para ler)

Eu geralmente levo o meu almoço para o escritório (aaah, a boa e famigerada “marmita” ou “quentinha”) e adoro aqueles momentos de sossego do meio-dia às duas, então já deixei um livro no meu local de trabalho para poder apreciar uma boa história enquanto almoço. Para essas ocasiões especificamente, eu geralmente opto por livros grandes que se assentam sozinhos na mesa.

Ah, não posso esquecer que eu geralmente deixo um ou dois ebooks no celular também, o que eu costumo chamar de “leituras de emergência”.

“Mas Melanie, você não confunde as histórias?”

Para falar a verdade, não. Acho que nunca tive muito problema com isso (tirando os video games. Se eu estiver jogando, por exemplo, Uncharted no PS3 e Splinter Cell no PC – nota: eu uso o controle do 360 para jogar no PC – eu possivelmente vou confundir os comandos dos dois). Por algum motivo místico, eu consigo separar bem todas as histórias que estou consumindo, sobretudo se forem em mídias diferentes. Eu estou ciente de que algumas pessoas têm, de fato, dificuldade em fazer essa troca de contexto. A dica que eu daria é: se você quer ler múltiplos livros, escolha gêneros diferentes e mídias diferentes. Dessa maneira, você não vai se confundir tanto (inclusive, a Sanne fez um vídeo bem bacana com o mesmo assunto).

“Não consigo ler no ônibus/no carro/no trem/no avião, eu sinto enjôo!”

Isso é algo que eu ouço muito falar e que eu tenho também quando jogo certos jogos como Portal e Bioshock: é o tal do “motion sickness”. Nesses casos, você pode recorrer a medicamentos, mas não acho que seja uma idéia legal inserir produtos químicos na sua corrente sangüínea só para realizar uma tarefa momentânea. Nesses casos, eu sugeriria ficar com os audiolivros e podcasts mesmo. E não se sinta mal por não poder ler em meios de transporte: você não está necessariamente perdendo seu tempo!

O mundo moderno nos proporciona inúmeros meios de consumir uma história. Seja consumindo uma por vez ou milhares ao mesmo tempo, o importante é seguir um ritmo de leitura com que você se sinta confortável!

E você? Quantos livros você consegue ler ao mesmo tempo? Você tem “motion sickness”? Qual o seu método preferido de consumir um livro? Deixem-nos seus comentários!

  • Nunca tinha pensado em ler escovando os dentes… até que é uma boa ideia! 😀

    Também sempre li um livro após o outro, mas cheguei a mesma conclusão: o tempo é escasso. Geralmente leio um livro de ficção e um de não-ficção ao mesmo tempo, mas ultimamente não tenho seguido nenhuma regra… Leio o que dá vontade a qualquer hora, paro de ler um livro e volto meses depois… Não recomendo pra ninguém xD, mas tem dado certo.

    Leio muito no caminho do trabalho e à noite, antes de dormir. Por isso atualmente acabo lendo mais com e-reader… É mais prático. Ouço audiobooks de vez em quando, especialmente quando estou fazendo a faxina. Também prefiro ler livros físicos quando tenho o suporte de uma mesa, então geralmente faço isso apenas nos feriados ou nas férias em casa.

    • Na verdade é mais o lance de “eu literalmente leio em qualquer oportunidade”, mas eu tenho uma das mãos livres para segurar um livro enquanto vou fazendo o que preciso fazer, então tenho que aproveitar a oportunidade! 😀

      Mas acho que o seu método é perfeitamente funcional: ler o que dá na telha e pronto. É até por isso que eu parei de escolher o que eu quero ler de antemão e, já aproveitando a deixa, eu me disciplinei a não comprar livros que eu não vá ler assim que eu comprar.

      A única coisa ruim de ler durante o translado é que às vezes o motorista esquece de ligar as luzes do ônibus e não dá para enxergar nada do que está escrito, então eu opto por escutar audiobooks mesmo! o

  • @hialee

    Eu tbm gosto de ler várias coisas ao mesmo tempo, e não me confundo em nada. Tbm faço assim, leio estilos diferentes pra não confundir. Esse ano estou com uma meta de ler um livro que eu quero, que geralmente é alguma fantasia e ou livro policial e intercalar com uma literatura considerada clássica. Só assim pra eu ler Dom Casmurro, pq se depende-se de vontade própria eu nunca leria e ainda bem que o fiz, pq hoje o Dom casmurro é uma dos meus livros preferidos rsrsr. Assim , já li o triste fim de policarpo quaresma, luciola, diva, e vários outros, e agora vou começar a divina comédia assim que terminar o orfanado da srta pereguine. Gostei desse meu método, pq não fico presa a um único gênero e aproveito leituras contemporâneas, como as mais antigas.
    Meu problema mesmo é focar no que ler. Dificilmente consigo ler um livro do inicio ao fim, sem colocar outro no meio, e por isso acabo ficando com vários livro no “estou lendo”. Eu tbm tinha essa de não querer abandonar um livro, mas agora penso como vc, o meu tempo é curto e vale muito. Tento ler até o meio pelo menos, se a história não me conquistar até ali, largo mesmo. Por isso que não terminei de ler nem Deuses americanos, nem Azincourt, pq simplesmente não consegui me apegar a nenhum personagem, não me importava com eles, então pra mim não tinha sentido ler tudo pra querer saber o acontece no final hahaha. Vcs tem um episódio que fala de deuses americanos né?? Vou até ouvir pra saber se minha opinião bate com a de vcs.
    Bjoss!!

    • Pois é, eu antes tinha o mesmo hábito que o Thiago de só ler um livro por vez e não pegar nenhum outro até ter concluído a leitura do livro. Até aí tudo bem… até o momento em que você pega um livro com mais de 1000 páginas e descobre que, por mais que você esteja gostando do livro, a leitura não está fluindo. Tem gente que não tem problema com isso e, até certo ponto, nós do AdL não temos muito problema com isso, MAS para produzir conteúdo o suficiente para os podcasts, a gente PRECISA ler mais de dois livros por mês, então temos que adotar outros métodos de leitura. Mas acho que se o método que você utiliza funciona pra você e você não está se perdendo em nenhum livro E ainda assim chega ao final de todos os livros, então está no lucro!

      Com relação a Deuses Americanos, sim, temos um episódio sobre ele (que você pode encontrar aqui: http://agentesdolivro.com/archives/775)! Eu diria que Neil Gaiman já escreveu livros mais interessantes. Enquanto Deuses Americanos tem vários pontos excelentes para discussão, ele não é nem de longe o melhor livro que ele já escreveu, na minha opinião. Mas, bem, se conseguir seguir em frente com a leitura do livro, diga-nos suas impressões finais!

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