Neste episódio, Melanie e Thiago se exaltam com as tarefas mundanas da fantasia e batem um papo bacana sobre essa obra de Robin Hobb.

Contatos

Leitura do mês

O Aprendiz de Assassino

  • Isa Prospero

    Olá, caros! Já comecei a segunda-feira ouvindo vcs detonarem uma das minhas autoras preferidas. Hahaha, vamos lá!
    Tanto Liveship Traders como Rain Wilds não contam a história do Fitz – se passam em outras regiões do mesmo mundo, mas também têm conexões com toda a mitologia da série. Na trilogia mais recente do Fitz, personagens e eventos dessas séries têm um papel importante também, então tudo se une no final (embora ambas possam ser lidas sem ter lido as séries do Fitz, faz mais sentido começar pela Saga do Assassino).
    Agora, ao livro… É difícil pra mim ver objetivamente esse primeiro volume: quando o li, não achei a melhor coisa do mundo, mas também não tive uma reação tão negativa quanto vocês. E depois de ler o resto da trilogia (e as outras trilogias do universo), a série em geral se tornou uma das minhas preferidas. Sei que é chato quando falam “ah, vc tem que ler os próximos pra gostar da série”, e ninguém é obrigado a fazer isso, mas pra quem gostou mesmo que minimamente do primeiro, acredito que vale a pena dar mais uma chance. O segundo é o melhor da trilogia, o terceiro tem um começo lento, mas o final é bem emocionante.
    Acho que tem duas coisas principais que podem deixar essa sensação ruim: primeiro, o título enganador (de fato!), segundo, as expectativas – como vcs mesmo disseram, comparado a outros autores contemporâneos, a história é super lenta. Mas a questão da Hobb (e entendo como alguém pode não gostar disso, cada um na sua) é que ela não tem muita pressa de chegar às partes mais emocionantes ou dar as respostas/plot twists que você espera – não só dentro de um livro, mas ao longo de vários. Então, por exemplo, o treinamento com o Galen vai importar muito ainda e afeta coisas que acontecem até nos livros de outras trilogias. Ao longo da Saga do Assassino, a magia vai ser mais explicada (e ser ainda mais ampliada nas outras trilogias). A questão dos Navios Vermelhos vai ser levada até o final dessa trilogia, mas só será totalmente explicada no sexto livro do Fitz… e por aí vai.
    Mas eu não ligo de ler muitas descrições e introspecção dos personagens pra chegar a um clímax (talvez ter lido a Roda do Tempo tenha me preparado para pay-offs demorados…), e não senti toda essa lentidão que vcs falaram na minha leitura. Pra mim funcionou bem, gostei do ritmo. O foco primário da história é o Fitz (vide toda a narração da vida mundana e das tarefinhas diárias dele) e não em uma trama de ação/aventura. É bem diferente de um Sanderson, claro, mas gosto dos dois autores por motivos diferentes.
    Mais algumas coisas pontuais:
    – Sobre a jornada do herói: há um evento no final do segundo livro que é tipicamente dessa estrutura, mas o final do terceiro livro quebra totalmente as expectativas disso (nunca tinha pensado nisso desse jeito, na verdade, legal vcs terem comentado!).
    – Burrich é demais e tem um puta desenvolvimento ao longo da trilogia <3 Talvez tivesse sido mais coerente ele ter morrido, mas eu amo o personagem, então fiquei aliviada. Além disso, a Hobb mantêm os personagens vivos pra fazer eles sofrer mais :)))
    – Patience é maravilhosa <333 (adorei a comparação com a Catelyn, muito verdade!)
    – E vcs nem falaram do Verity, mas ele é o cara que vc passa a amar loucamente até o final da trilogia.
    – Já o Bobo… cara, ele é o personagem mais importante da série toda. Queria falar mais mas não quero dar spoilers, então basta dizer que há muito a descobrir sobre o papel dele na história.
    Concordo sobre os antagonistas, eles não têm nenhuma redeeming quality. O Regal é só um merdinha e adoraria que alguém fizesse alguma coisa sobre isso, mas o Shrewd é cego em relação a ele e o Verity é nobre demais pra matar o irmão. Sobre todos odiarem o Fitz, acho que, pro Regal, o perigo é que o Chivalry era muito amado, e a semelhança do Fitz com ele é uma ameaça para as ambições dele de tomar o trono. (Inclusive, não lembro de o Regal gostar do Chivalry. Não estava falando do Verity, não?)
    A parte da montanha é importante basicamente por causa da Kettricken, que tem um papel bem maior nos próximos livros (e é uma ótima personagem, acreditem!).
    Ri muito com a questão do "Fitz Escolhido" que está sempre presente nos momentos mais importantes da história. Não tive muitos problemas com isso enquanto estava lendo, embora sem dúvida vcs tenham razão.
    Discordo em algumas coisas: que o Fitz se sobressai em qualquer situação (ele fracassa repetidamente, tanto no treinamento de magia como no teste do Galen); eu senti bem a passagem do tempo, fiquei bem surpresa por vcs terem estranhado isso; e acho que a primeira pessoa é essencial no livro, não consigo imaginar a narrativa de qualquer outro jeito. Sobre não verem que o garoto é foda: não vejo como os outros poderiam reconhecer isso? O Fitz é essencialmente uma criança; a Wit é um poder tabu que ele não pode sequer admitir que tem, e ele (aparentemente) fracassa em usar a Skill. Pros adultos (Shrewd e Chade) no máximo ele pode ser controlado para se tornar um assassino mediano.
    Também não vejo o Fitz como depressivo: acho que ele tá mais pra bipolar. O problema dele é cair muito fácil nesses "slumps" cada vez que acontece alguma coisa. (Em um dos livros mais recentes acontece algo que me fez ter a mesma reação do Thiago – "Eita, lá vamos nós pro vale das lágrimas"… Mas o Fitz resolve agir em vez disso. Foi uma ótima surpresa, hahah.) Vou totalmente contra vcs nessa: acho que o desenvolvimento do Fitz é muito bem feito, mesmo que aparentemente contraditório às vezes.
    Enfim, eu tive vários problemas com os livros da Hobb, como fui apontando nas minhas resenhas, mas no conjunto, é uma série que me tocou muito por causa dos personagens. Acho que ela escreve com uma sensibilidade enorme, e o universo da série também é fascinante, mesmo que demore um pouco pra vc ser recompensado pelo esforço.
    Só porque vcs gostaram do Burrich e do Fool, recomendo: deem uma chance ao segundo livro. É muito melhor.
    Por fim, deixo a minha resenha, caso alguém queira ler uma opinião mais moderada, rs:
    https://blogsemserifa.com/resenha-o-aprendiz-de-assassino/

    • Timóteo Rezende Potin

      Só aproveitar o text wall da Isa (que eu ouvi o podcast esperando) para dizer que eu concordo com a opinião dela sobre o livro. Apesar de só ter lido ele dá série até agora achei a leitura muito boa. Do tipo que bate um arrependimento de ter deixado ela pegando poeira no armario durante quase dois anos.

      Não é o melhor livro da vida, mas não achei ele muito bom, na pior das hipoteses.

      Em tempo: Como é possível alguém não gostar do Hoid?!?!?!?

      • Fala, Timóteo!

        Uma coisa que eu e o Thiago precisamos fazer com uma certa urgência é dar uma pausa nos livros do Sanderson. Quando eu estava escutando a primeira versão editada da gravação, eu fiquei pensando no quanto essa comparação dos livros dele com livros de outros autores está afetando a nossa opinião com relação aos mesmos. É tenso, porque por mais que a gente diga “não podemos comparar um autor a outro desse jeito”, é bem difícil fazer essa desconexão. Mas, como mencionei, pretendo dar uma chance para os outros livros da série!

        Com relação ao Hoid, para ser sincera, eu não sei por que eu não gosto do Hoid. Talvez seja o fato de eu não conseguir formar uma imagem mental do que ele aparenta ser, talvez por ele ser tipo o Tuxedo Mask (aparece do nada, fala alguma coisa aleatória e some em seguida) ou talvez até pelo fato de eu não gostar de ficar pendurada no mistério de um personagem que pula de um mundo para o outro e não parece fazer uma diferença TÃO grande na vida de quem interage com ele (com a exceção de Words of Radiance). Mas talvez ainda seja cedo para falar e talvez ele vá ter um papel importante em livros futuros, não sei!

    • Fala, Isa!

      Acredite, eu estava ansiosíssima para lançar esse episódio porque imaginava que você ia ter um monte de coisa para falar a respeito do livro e estava curiosíssima para saber o que você tinha para falar a respeito, sobretudo porque eu e o Thiago estávamos concordando com muita coisa enquanto falávamos sobre o livro e estávamos sem um contraponto para nos convencer do contrário. Eu acho isso teria feito a gente repensar um pouco a respeito da história e talvez até olhá-la de um jeito diferente!

      Com relação à série de maneira geral, eu ouvi falar que a Robin Hobb dá uma variada muito bacana nos livros pós-Farseer (e comigo o negócio é o seguinte: mencionou que tem personagem LGBTQ, já estou de olho!). Isso é bem promissor e me anima a pensar em dar uma chance para os outros livros da série mesmo não tendo gostado tanto de Assassin’s Apprentice.

      Você mencionou uma coisa que eu sempre levo em consideração quando leio um primeiro livro de uma série muito grande e não gosto muito dele: o lance de ser chato dizer que “você tem que ler os outros livros da série”. Enquanto eu ocasionalmente torço o nariz para esse tipo de comentário, no caso dos livros da Robin Hobb eu já consideraria com mais carinho. Primeiro, porque, como mencionamos no podcast, há personagens que gostamos MUITO (yaaai para o Fool, o Burrich e a Lady Patience!). Segundo: porque A Torre Negra padece do mesmíssimo mal, e eu acho que teria me arrependido amargamente se não tivesse continuado a ler os outros livros da série. Então, se você diz que os próximos livros melhoram, eu acredito!

      Acho que o nosso problema não foi tanto com o ritmo lento da história (mesmo porque The Way of Kings praticamente se arrasta no comecinho – sem contar aquele prólogo que não faz sentido nenhum para quem está começando a ler), mas com o compasso da história. É muito tempo não acontecendo nada para acontecer algo EXTREMAMENTE RELEVANTE em tipo… meia página. O que nos deixou salgado não foi o ritmo da história per se, mas a distribuição das cenas de ação e das coisas que estavam acontecendo.

      Parabéns por ter vencido A Roda do Tempo. Eu gostei muito das mulheres da história, mas com o Rand de protagonista não deu. Nesses aspectos, vou dizer que até mesmo o Fitz, que foi um personagem que eu não achei tão grandes coisas, deu de 10 a zero no Rand (vou apanhar de tudo que é fã de Robert Jordan por ter dito isso, mas paciência).

      A gente não falou do Verity, mas eu gostei bastante do personagem. Não tanto quanto os que já mencionamos, mas ele é um personagem bastante interessante, e mais um dos que eu coloquei na lista de personagens com os quais eu estava agonizando porque se ele morresse eu ia ficar p da cara!

      Com relação ao Regal, pode ser que fosse o Verity sim. Na verdade a certa altura do livro eu já estava com a cabeça zumbindo de tanta gente dizendo que gostava do pai do Fitz que pra mim todo mundo gostava dele mas, por algum motivo misterioso, isso os tornava automaticamente mais aptos a odiarem o Fitz por motivos banais!

      Eu acho que teria gostado muito mais da Kettricken se ela tivesse demonstrado uma personalidade um pouco mais forte. Eu senti que ela foi uma personagem EXTREMAMENTE contida nesse primeiro livro, ao contrário da Lady Patience, que podia não tomar ações diretas, pegar a espada e ir para a frente de batalha, mas que fazia tudo por baixo dos panos. Novamente, se você diz que ela se torna uma personagem importante nos próximos livros, eu acredito!

      Com relação às skills do Fitz, eu acho que nos pontos que você citou (e com os quais eu concordo), ter lido Mistborn e StormArch acabou influenciando e muito na nossa opinião com relação a ele, e eu estou ciente de que foi a coisa mais errada que poderíamos ter feito sobre livro. Afinal de contas. os protagonistas dos livros que citei são mais velhos, eles já estão em um estágio da vida em que nós ainda conseguimos nos lembrar que passamos. Já no caso do Fitz, talvez justamente a tenra idade dele tenha feito com que a gente não tenha conseguido se conectar/ter tanta empatia pelos problemas dele. Isso se evidencia até pelos próprios personagens que mais gostamos. Novamente, problemas de expectativa!!

      No mais, como sempre, agradecemos pelo seu ponto de vista e sim, eu pelo menos vou dar uma chance para o resto da série!

      • Isa Prospero

        Oi, Mel!

        Olha, um casal LGBT mesmo só tem na série Rain Wilds (que é, no geral, a mais fraca delas), embora haja um personagem muuuito interessante nos livros do Fitz que não é cishetero, embora a coisa fique mais no sofrimento pela maior parte do tempo, rs. Mas eu amo livros que destroem meu psicológico, então… (falando em personagens LGBT e sofrimento, vc já leu A canção de Aquiles?)

        Enfim, fico feliz que vc vai considerar continuar a série! Os personagens evoluem de jeitos muito legais – o Verity e a Kettricken realmente se destacam depois.

        E sabe que eu adoro o Rand? rs

        • A Canção de Aquiles da Madeline Miller? Nunca tinha ouvido falar, fui procurar no Goodreads para saber do que se trata. O que você achou do livro?

          Eu acho que teve muita coisa boa no primeiro livro, apesar de todas as críticas. Acho que deu para tirar muita coisa boa do livro, então seria até meio que um desperdício não dar uma segunda chance para a série, mesmo porque enquanto eu estava lendo O Aprendiz de Assassino, não cheguei a pensar nenhuma vez em desistir do livro. Okay, eu me irritei em vários momentos com muitos aspectos, mas mesmo assim fiquei o tempo todo curiosa para saber o que acontecia.

          Eu acho que o problema maior que eu tenho com o Rand é o fato de ele ser um grande babaca em diversos momentos do livro, sobretudo no que diz respeito à Egwene e à própria ignorância dele com relação à Moiraine. Eu geralmente tolero babaquice de protagonista que se acha o rei da balada, o próprio Elend é bem detestável em vários momentos da série Mistborn (e quem dirá o Laurent de Vere da trilogia Captive Prince??) mas também tenho meus limites. Eu tenho uma tolerância relativamente grande quando existe uma dosagem de qualidades que dão uma certa redenção ao personagem, como foi o caso do próprio Burrich: ele era um cara extremamente cinza, mas tudo que ele fazia fazia um certo sentido e tinha coerência dentro da construção do personagem. Ele podia ser extremamente cruel e vários momentos do livro, mas ao mesmo tempo ficava muito claro que ele era muito íntegro com relação aos sentimentos paternais que ele nutria em relação ao Fitz. No caso do Rand, pra mim soava o tempo todo como criancice, e isso destoava muito com o desenvolvimento de outros personagens ao redor dele.

          Mas enfim, estou divagando muito aqui. Eu acho que preciso parar de ficar procurando chifre em cabeça de cavalo de vez em quando! =X

          • Isa Prospero

            (eu jurava que tinha respondido, meu comentário foi pra algum limbo) enfim, só pra falar que eu a canção de aquiles é um dos meus livros preferidos <3 eu fiz todo mundo do sem serifa (e mais alguns amigos) ler e todos adoraram. é um romance em uma recontagem da ilíada (mas vc não precisa conhecer pra ler), e a prosa é linda (uma das poucas coisas que eu comparo a rothfuss). acho que vc vai gostar!

  • Guilherme

    Terminei o livro hoje, até hoje só escutei uns três podcasts de vocês porém respeito suas opiniões, porém, eu discordo de parte na questão desse livro kkkkkkk, grande parte do que eu não gostei do livro tá amarrado ao fato de ser pelos olhos de uma criança – quando ele é pequeno e quase não fala eu ficava possesso, até o Breu descobrir o motivo, achei uma jogada fenomenal – e pra mim quase tudo funciona, principalmente as falhas dele, antes de terminar de ler eu li muitas críticas negativas sobre o livro e fiquei receoso em ler o restante e não gostar e ficar sem ler o outros, porém, os capítulos finais é genial, principalmente porque ele é o tipo de personagem tocável, ele sofre porém é justificável, e até o fato da série ir colocando pequenos detalhes que aparentemente não tem relevância mas que sempre são expostos depois, por exemplo, ele treinou espada e etc, mas logo que teve que enfrentar os Forjadores ele já expões que o treinamento logo fugiu da cabeça dele na hora do combate verdadeiro. Enfim, o que mais falta no livro é realmente o tal do Assassino kkkkkk, mas eu acho que é porque para o Fitz ser um assassino não é exatamente ser ele – como se ele não desse muita importância para esse fato – então ele expõe mais coisas que interferem na perspectiva dele e nas coisas que ele realmente aprecia – como jardins, as grandes descrições de jardins nas Montanhas. Por fim, ótimo trabalho de vocês e espero acompanhar cada vez mais vocês, boa sorte e bom trabalho para ambos.

Copyright Agentes do L.I.V.R.O. © 2014-2017