Neste episódio Melanie e Thiago discutem um assunto delicado que muitas vezes passa despercebido por nós!

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Preconceitos Inconscientes

  • Felipe Proto

    Como sempre, ótimo cast!
    E vamos lá catar agulhas…

    E sugerindo um “livro”, no modelo:
    “Last chance to see” do Douglas Adams. Está, até onde entendo, inserido atualmente dentro d’O Salmão Da Dúvida.
    Na descrição dele: Mark Carwardine é um dos maiores zoólogos do mundo, e está nesta expedição procurando pelos animais mais raros do mundo como um especialista. E eu (Douglas Adams) estou como a pessoa que não entende nada do assunto e vai descrever para vocês a experiência.

    Sobre o assunto principal do cast: muito corajoso vocês atacarem preconceito, ainda mais o de vocês mesmos. Só senti falta de falar um pouco mais de estereótipos que temos montados na cabeça, e que são usados e repetidos o tempo todo: o guerreiro burro, a ladra que não confia em ninguém, o personagem negro que fala com um certo sotaque… Sim, não são tão importantes quanto os que vocês mencionaram, mas ajudam a sedimentar outros preconceitos e outras imagens que temos, o que torna lutar contra uma imagem/opinião padronizada das pessoas ainda mais difícil…

    PS: Branco é a união de todas as cores em luz. Em tintas, ela é a ausência de cor/pigmento 😉

    • Fala, Proto!

      Eu acho que tinha muita coisa sobre as quais podíamos ter falado nesse episódio. Eu ACHO que esteriótipos de papel é um assunto que vamos abordar em um outro episódio, nesse a gente queria comentar sobre os que a galera do Writing Excuses falou mesmo (fora que os outros eu acabei falando no CabulosoCast, então não achei muito necessário repetir tudo por aqui).

      Alguns esteriótipos nós meio que atacamos em outros episódios. O mais clássico, o do personagem negro com sotaque, é um que nós comentamos no episódio de Steelheart, em que o Brandon Sanderson criou um personagem negro… com sotaque francês porque, adivinha? Ele veio do Canadá!!! Eu acho que esse foi um dos POC mais interessantes que fugiu do esteriótipo. Outro que eu achei que fez isso de maneira bem interessante foram Proxy, do Alex London (em que o protagonista é um negro homossexual) e o Jesper de Six of Crows, da Leigh Bardugo (em que o personagem não segue praticamente nenhum esteriótipo).

  • Vicente Aguiar

    Olá Agentes!

    Não consigo entender quem tem problemas com personagens de sexo oposto. Desde criança, quando comecei a ler, sempre prefiri personagens femininas. Em quase todas as histórias que eu leio meus personagens favoritos são mulheres (Arya Stark, Lisbeth Salander, Luna Lovegood, Ellie Arroway, a Door de Neverwhere, etc) e acho que simplesmente nunca me falaram que isso não era “correto” ou o mais indicado, sei lá. Pra ser sincero, eu costumo desgostar de personagens heróis principais, que costumam ser homens. Acho que o Harry Potter não tem mérito quase nenhum nas coisas que conquista e sem a Hermione eles estariam mortos no primeiro ano letivo.

    Um dos motivos que faz a trilogia dos Homens que não Amavam as Mulheres, do Stieg Larsson, ser tão boa é justamente que o autor aborda esse tema de as mulheres serem o tempo todo subestimadas. A co-protagonista (Lisbeth Salander) é magrela, baixinha, e SEMPRE “ataca” com o elemento surpresa, já que ninguém nunca espera isso dela. Existe uma situação num dos livros que ela arrebenta na porrada 2 motoqueiros gigantes e é 100% verossímil. (Inclusive, fica a recomendação pra vocês. É uma história de investigação absurdamente bem escrita, com um cenário diferente (Suécia) e com personagens maravilhosos. Sem contar que é um PUTA dum page-turner.)

    Mas acho que pior que isso é quem rejeita completamente autoras se baseando exclusivamente no fato de serem mulheres. Sério, não sei nem como contra-argumentar isso por não saber por onde começar.

    Enfim, ótimo episódio, abraço

    • Fala, Vicente!

      Eu acho que grande parte dos problemas de quem não gosta de histórias protagonizadas por pessoas de sexo oposto (ou até escritas por alguém do sexo oposto) é justamente aquela idéia pré-concebida (muitas vezes incorretamente) de que ela não vai conseguir se conectar com o personagem ou com a história por qualquer motivo que seja. “ah, mas eu não gosto de ler sobre os hábitos de maquiagem de uma mulher!” ou “mas eu não sofro desilusões amorosas desse jeito” e coisas do gênero. Eu não gosto de apontar o dedo para alguém e dizer “mas a culpa é da editora, que vendeu essa história como sendo uma coisa mas na verdade é outra!”, mas eu freqüentemente sinto que é exatamente esse o caso: é a história tendo sido vendida de maneira errada, é a pessoa barulhenta que acabou pegando do livro um detalhe fora do contexto… QUALQUER coisa. Ou às vezes a pessoa é ignorante mesmo e julga o livro por todos os motivos errados. Nesses casos, não tem o que fazer, é sentar e chorar mesmo. =/

  • Isa Prospero

    Olá, caros!
    Faz uma semana que ouvi o cast e ainda não consegui articular um comentário, rs. Esse assunto me faz querer falar por horas; adorei a escolha de tema (tinha gostado muito daquele episódio do Writing Excuses também – e amo o Brandon por reconhecer os ~biases dele e tentar sempre melhorar. É mais do que se pode dizer de muito autor por aí).
    Acho que não adianta muito tentar encontrar “motivos” pelos quais não queremos (ou não queremos mesmo?) ler sobre personagens que fogem do padrão (masculino/jovem); para mim é apenas uma manifestação da nossa sociedade. Fomos condicionados a isso – especialmente os homens, que não são incentivados, desde cedo, a ler mulheres, se identificar com mulheres ou ter mulheres como heroínas (enquanto nós lemos autores homens e amamos personagens homens sem ninguém achar estranho). Também acho que livros focados em mulheres e/ou escritos por mulheres tendem a tratar de questões específicas à condição de ser mulher, porque isso é algo com que lidamos, mas muitas vezes os homens não vêm interesse nisso (claro que não todos esses livros terão esse foco, e não vou nem falar de homens que não leem livros escritos por mulheres já pré-julgando o conteúdo, é absurdo demais pra comentar). Por outro lado, livros “masculinos” são “gerais”, para leitura de todos. Isso me lembra de um post que li sobre todo aquele drama com o novo Ghostbusters. Falava sobre como vc pode colocar mulheres pra fazer remakes de filmes protagonizados por homens e nada muda na história, enquanto se vc fosse tentar refazer filmes protagonizados por mulheres (grupos de mulheres, especialmente), as próprias histórias não fariam sentido com homens, pois têm uma carga muito forte de questões de gênero. Enfim, acho que estamos longe de chegar nesse estágio que o Thiago disse de podermos apenas trocar os pronomes e nada mudar na história. (E nem acho necessariamente interessante isso acontecer: ao mesmo tempo que é ótimo ver mulheres nos papéis que geralmente caem para os homens – como o próprio Ghostbusters – ainda precisamos criar e promover obras que falem de explorem o papel das mulheres em uma sociedade, seja ela a nossa ou outras, fictícias. Nesse ponto, amo livros de fantasia que exploram papéis de gênero alternativos – beijos, Stormlight Archive).
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    Ufa. Enfim, esperando ansiosamente o episódio de Aprendiz de Assassino! <3

    • Fala, Isa!

      Esses assuntos SEMPRE dão muito pano pra manga. Depois que gravamos o episódio eu até pensei “putz, devíamos ter escolhido um aspecto mais específico do assunto para comentar”, mas acho que conseguimos passar um geralzão por cima daquele episódio de Writing Excuses.

      Acho que você falou tudo: o preconceito e “backlashing” que a gente vê o tempo todo com as coisas que discutimos no podcast é algo tão intrínseco à maneira como a sociedade foi construída que muita gente não se dá conta de que talvez exista algo errado com a maneira como eles têm tratado certos assuntos que não são considerado o “padrão normal”. Esse tipo de pensamento preconceituoso já incomoda quando as atitudes de uma pessoa se limitam à vociferação de idéias absurdas, mas me dá nos nervos quando passa para agressão física. Mas… bem, não vou entrar no mérito dessa questão.

      O exemplo que você deu de Ghostbusters foi algo que eu achei particularmente conveniente, porque eu lembro de comentários de homens em Twitters alheios que seguiam mais ou menos a linha de “NOSSA, MAS QUE PORCARIA DE FILME EM QUE TODOS OS HOMENS SÃO IDIOTAS OU SEXUALIZADOS E aaaaaaah, agora entendi como as mulheres se sentem”. Eu acho que MUITA gente não captou exatamente esse aspecto que o filme parece ter passado (não posso dizer nada, não vi o filme ainda – mas pretendo vê-lo muito em breve!). Somo ao seu exemplo um outro: o barulho gerado pelo pôster do novo filme de X-Men, com o Magneto pegando a Mística pelo pescoço. Vi muuuuuuita gente reclamando do “mimimi” que a controvérsia do pôster gerou, mas achei que o outro lado também foi bastante coerente: algumas pessoas podem ver isso como “o mal absoluto dominando os mocinhos”, mas eu entendo que muita gente viu aquilo como “violência contra a mulher”. Entendi ainda um terceiro lado: o das pessoas que acharam que isso tudo é mimimi simplesmente porque nunca precisaram passar por esse tipo de violência e, portanto, não conseguem entender plenamente o drama que é a situação.

      Enfim, o episódio de Aprendiz de Assassino sai na segunda-feira (se tudo der certo)!

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