Por que eu compro livros?

6 de julho de 2016

(Disclaimer: a imagem do post veio daqui!)

Há alguns meses eu li uma matéria denominada “8 Razões Pelas Quais As Pessoas Compram Livros“. Eu devo ter topado com esse artigo enquanto passeava pela minha timeline do Twitter, e para falar a verdade nunca me ocorreu pensar em razões pelas quais alguém compraria um livro. “Ué, as pessoas não compram livros porque querem ler?”. Curiosamente, este não é o motivo na esmagadora maioria das vezes. De acordo com o artigo linkado, muitas pessoas compram livros que não pretendem ler por impulso, pressão social e até mesmo para parecerem mais inteligentes (???).

Mas afinal, por que compramos livros? Com todas as facilidades da internet, acessibilidade de informação e disseminação de mídias sociais, que entregam assuntos com muito mais rapidez e conveniência, por que alguns de nós ainda se dão ao trabalho de ir a livrarias ou de gastar vários minutos em sites como Amazon, Saraiva e Submarino procurando e comprando livros físicos?

Da minha parte, eu acho que existe algo extremamente satisfatório no ato de comprar livros físicos (ou até mesmo eBooks), muito mais do que comprar outras coisas, quaisquer que sejam elas. Durante grande parte do tempo, eu sinto que livros são uma das poucas coisas que eu compro que, mesmo que não estejam embrulhados em papel especial, dão aquele sentimento de ter recebido um presente. Segurar um livro com as duas mãos, sentir o peso do encadernado, o relevo dos detalhes da capa ou até mesmo ver a tinta que se solta das páginas de livros mass paperback são aquelas ações pequenas e simples que já sinalizam o início de uma enxurrada de outros sentimentos. Talvez eu vá achar a história um tédio, talvez eu deteste a história e todos os personagens. Mas também existe aquela remota possibilidade de que eu vá gostar tanto, mas tanto do livro, que eu não vá conseguir abandoná-lo até o momento em que eu chegar na última página. Talvez eu me envolva tanto com a trama do livro e com o desenrolar da história e com os personagens que, a partir do momento em que eu virar a última página, eu sinta como se tivesse passado pela mais sensacional aventura da minha vida e que eu nunca mais vou olhar ao meu redor da mesma maneira. Aí, alguns meses depois, quando eu olhar para esse mesmo livro, talvez eu tenha aquela boa sensação de nostalgia, aquele mesmo carinho que você tem por coisas boas que aconteceram na sua infância. Eu vou pegar esse livro e pensar “noooooossa, lembra quando este personagem finalmente conseguiu escapar de um destino cruel?” ou “lembra da vez em que você achou que esse personagem ia falhar, mas que esses atos fizeram com que essa outra coisa genial acontecesse mais para frente?”. Talvez eu resolva dar só uma passadinha de olhos em alguns trechos que eu achei bacanas e acabe vivenciando essa aventura novamente, mas desta vez com um olhar diferente.

O Felipe Proto fez um comentário muito interessante ao final do episódio que gravamos sobre O Temor do Sábio: “you never go back to the same place twice“, você nunca volta para o mesmo lugar duas vezes, e acho que esse comentário é muito relevante para muitas coisas, inclusive a experiência da leitura.

Mas Melanie, você não pode ter a mesma experiência simplesmente pegando um livro emprestado na biblioteca?

Talvez? Eu sempre gostei do conceito de pegar livros na biblioteca. Eu acho muito bacana ter em mãos um livro que já passou pelas mãos de tantos outros leitores diferentes, entusiastas ou não, e já foi amado ou odiado por muitos. Mas ao mesmo tempo acho um pouco sufocante ter o livro sabendo que existe um prazo para eu concluir sua leitura. Em alguma outra época da minha vida, isso não seria um grande problema, mas com o tanto de coisas acontecendo na minha vida ao mesmo tempo, muitas tendo precedência sobre meu hábito de ler, começar uma leitura sabendo que meu tempo com o livro vai ser limitado, é algo que limita um pouco minha experiência. Ela é diferente, corrida. É como um abraço de despedida de uma pessoa que você acabou de conhecer.

Resumindo a história toda, eu compro livros porque eu nunca adquiro apenas livros. Eu ganho amigos novos. Eu vejo outros lugares, conheço outros mundos. Talvez eu até possa dizer que eu me torno uma pessoa melhor.

E vocês? Por que vocês compram (ou não compram) livros? Deixem-nos seus comentários!

  • Isa Prospero

    E aí, Mel? Cara, adoro ter livros. Andei comprando menos nos últimos anos, desde que começamos a ganhar coisas de parcerias e que comprei um e-reader – que é maravilhoso, mas nada como um livro físico. Ultimamente andei comprando mais edições especiais e coisas que sei que não vou ganhar e quero muito ler.
    Desde que comecei a anotar coisas pra fazer resenhas adquiri o hábito de pôr comentários/reações meus ao longo de leituras – acho divertido folhear os livros depois de um tempo e lembrar do que senti em determinado trecho. E às vezes compro um livro de que gostei muito, só pra tê-lo em mãos. rs. Esses dias li a versão digital de um livro de poesias e gostei tanto que encomendei o negócio (em dólar ainda, socorro) só pra poder folhear e ver as ilustras direito. <3

    • Fala, Isa!

      Eu também amo ter livros, e às vezes até mesmo o fato de olhar para todos eles alinhadinhos e bonitinhos na estante já dão uma satisfação imensa, mas sabe o que eu não adoro? Ter que limpar tudo depois. Caramba, como livro acumula poeira e bicho! Por isso até que ando me desfazendo de alguns livros que eu sei que não vou ler mais. Tenho sido bem mais partidária dos eBooks e, ao menos que eu goste MUITO do livro e pretenda reler depois, eu não pego a versão física. Meio triste, mas significa mais espaço livre em casa.

      Mas realmente, eu também tenho esse hábito de fazer anotações e marcar trechos que gostei com post-its. Isso é uma experiência que nenhum eBook ou audiobook consegue proporcionar, independente das ferramentas disponibilizadas!

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