No episódio de hoje, Melanie e Thiago tentam entender o que raios é essa tal de Maturidade Literária!

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Maturidade literária, tretas e altas confusões

  • Eduardo Fernandes

    Hahahaha vcs leram meu email no ar! First time ever que isso aconteceu! Parabéns pelo trabalho pessoal! Keep up!
    Aqui vai o parágrafo para vender The Black Company:
    Acompanhe o avanço da Companhia Negra pelos olhos do cronista e médico Croaker(Chagas em ptbr) e após serem contratados por um General(SoulCatcher) para lutarem pela Dama, que está dominando todo o reino. O grupo de mercenários irá seguir em direção às maiores batalhas encarando também a intriga interna do exército entre os generais sem ter certeza (ou se preocupar) qual é o lado certo.

    Abraços!

    • Pablo Alves

      cara vc não sabe como eu fico feliz de encontrar outra pessoa q leu este livro, esse foi um dos primeiros livros que comprei e com ele q me apaixonei pela literatura dark fantasy, então eu super recomendo tmb, na minha opinião tentando lembrar agora, o glen cook não foca muito no ambiente, ele não fica muito descrevendo o mundo oq pra mim é bom, e o desenvolvimento dos personagens é muito legal, a ação é uma atrás da outra, e os “tomados” são muito fodas (não sei como vão estar em inglês)

      • Eduardo Fernandes

        Mais um irmão!!!!!! Rs… é sempre bom encontrar alguém que conheça esse universo! li todos os que saíram da saga principal menos o último pq começa um arco que não está terminado…vc foi até qual?
        Tomados= taken, eu sempre curti “o” ShadowCatcher(Apanhador de Almas?) E o ShapeShifter

        • Pablo Alves

          eu li todos os tres q sairam aki, ainda não tenho nenhuma experiencia com livros em ingles, mas estou estudando e pretendo começar em breve

          • Eduardo Fernandes

            Leia sim! Os próximos são bem legais..o desenvolvimento da estória própria companhia te deixa curioso

  • Felipe Proto

    Como sempre, ótimo cast 🙂

    Sobre maturidade literária, eu concordo 99% com o que vocês disseram, tanto que eu interpreto o “argumento” como algo diferente: Maturidade Literária, IMHO, é saber diferenciar “esse livro é bom, mas não é para mim” de “este livro é ruim, mas tudo bem você gostar dele”.
    Exemplo: eu sou simplesmente incapaz de ler Jane Austen. A história não fui como que gosto, não tem uma construção de personagens que me cative. Mas eu sei reconhecer que o livro é bem escrito pra caramba, que os personagens são muito mais profundos do que era comum na época, e que há uma crítica social relevante ali.
    Ao mesmo tempo sei que Dresden Files é ruim: a evolução de personagens é super fraca, o mundo que ele cria é frágil em termos de consistência, tem sérios problemas de representação feminina. Mas eu não consigo parar de ler! Guilty pleasure total. E tudo bem. Não quero ser julgado por gostar da série, do mesmo jeito que não vou te julgar se você gosta de 50 tons de cinza.

    Agora, existem sim alguns conteúdos que você precisa de alguma bagagem anterior para aproveitar o que o autor quer passar. O exemplo mais gritante (e bem idiota) que eu vejo disso é Jogador Número 1: Se você não gosta de videogames at all, se não conhece e aprecia – ainda que pouco – a cultura pop dos anos 70/80, você não tem a bagagem necessária para apreciar aquilo: vai soar como a privada do Duchamp sem saber o que é Dadaísmo. E você TEM o direito de achar ruim e não gostar – tanto de Jogador Número 1 quanto do Fountain – antes de ter o contexto necessário: só lembrar que você não é o público daquilo, e respeitar a opinião do coleguinha.

    • Fala, Proto!!

      Eu sempre achei que o conceito de “livro bom” e “livro ruim” é algo extremamente subjetivo. Se o livro é intragável para mim e para várias outras pessoas, será que ele é realmente bom? Isso até acaba recaindo em algo que comentamos constantemente não só aqui no cast: o que torna um livro bom? O que define um livro como sendo bom ou ruim? Por que um livro YA não pode ser considerado “literatura clássica”?

      O seu exemplo da Jane Austen é interessante porque ela é muito “hit or miss” pra mim. Eu sou absolutamente apaixonada por Northanger Abbey, mas não consigo entender o que a galera tanto ama em Pride and Prejudice (e menos ainda por que diabos todo mundo parece ser apaixonado pelo Mr. Darcy. Ele tem um bom desenvolvimento durante a história, o que não muda o fato de ele ter sido um completo babaca no começo do livro/filme). No caso do Dresden Files, eu não cheguei na parte da saga em que eu começo a me irritar com as personagens femininas, mas não desgostei da história (e foi até motivo pelo qual eu me decepcionei tanto com The Aeronaut’s Windlass).

      Outro ponto ótimo que você citou foi justamente o lance de julgar as pessoas que gostam de um livro ou não gostam de outra. Isso parece ser algo que muitos têm dificuldade de entender: você é livre para julgar um livro, para analisar o que você gosta nele, o que você detestou, por que você o recomendaria ou não a outra pessoa. O que não é bacana é você julgar A PESSOA. Destaque especial do seu comentário que deveria até ter sido deixado em negrito, itálico, sublinhado e fonte 72: “respeitar a opinião do coleguinha”.

  • Isa Prospero

    Olá, caros!
    Que cast sensacional. Tenho várias opiniões sobre esse assunto, e adorei ouvir vocês super entusiasmados sobre isso. Concordo com quase tudo que disseram, e ainda mais com o comentário do colega Felipe aí embaixo.
    Como vcs falaram, ler o mesmo livro em épocas diferentes da vida vai ser uma experiência bem diversa, e pode influenciar muito sua opinião: nesse sentido, acho que alguns livros (especialmente os clássicos) nem sempre funcionam se a pessoa não tem certa experiência de leitura ou bagagem sobre determinado assunto. Exemplo: o próprio Homero. Entendo pq o Thiago não gostou, e acho que teria tido a mesma reação no caso dele (quem recomenda a Ilíada pra uma criança? que gente louca), mas minha introdução ao livro foi diferente. Li primeiro a Odisseia, quando já tinha 20 e tantos anos, e fiquei encantada. Fui atrás de ler mais sobre a obra e fiz um desses cursos online sobre literatura grega, que acabou falando muito da Ilíada. Resolvi ler o livro então (e numa tradução bem fácil, o que importa MUITO também nesses casos) e achei difícil, mas incrivelmente recompensador. Com ctz não teria aproveitado tanto se tivesse partido logo para o livro. Claro que a pessoa pode argumentar “não tenho vontade nenhuma de estudar pra ler um livro, sai daqui”, mas não acho necessariamente *ruim* vc ter que realizar um esforço maior, saber algo sobre o contexto histórico ou o autor, por ex., para aproveitar algumas obras. Se todo livro fosse assim seria complicado, mas algumas coisas valem o esforço. (Talvez, se tivesse feito algo assim, teria gostado de Ulisses, mas achei um porre e ninguém me convence a ler Joyce de novo hahaha.) Também nada impede a pessoa de ler um livro sem “entendê-lo” profundamente e ainda assim gostar dele. Li muita coisa na vida que “entendi” apenas do jeito mais superficial, a nível da história, digamos, e não de compreender as implicações filosóficas ou whatever… e tudo bem! Acho essa pressão que existe sobre os clássicos extremamente prejudicial e proibitiva.
    Em resumo, como vcs disseram, a maneira certa de consumir é *querer* consumir. (As leituras obrigatórias são um assunto complicadíssimo, mas a única coisa de que tenho ctz é que acho que as escolas precisavam pôr as crianças/adolescentes em contato com obras que eles *quisessem* ler, para criar leitores, além de apresentar coisas consideradas importantes/clássicas.)
    Fora isso, podem falar meu nome como se tivesse acento (esta é uma batalha constante na minha vida); apoio fortemente a leitura de Robin Hobb antes de tudo; e Ligações Perigosas pareceu bem interessante. Anotado.
    Um abraço para os dois!
    Isa

    • Fala, Isa!

      Achei extremamente válido o que você comentou no que diz respeito à época em que as pessoas lêem o livro, inclusive acho que é até por isso que eu fiquei meio amargurada com relação ao que me fizeram ler quando eu era adolescente. Eu acredito que muitas das coisas que eu li naquela época teriam sido muito mais bem aproveitadas se eu tivesse lido uns 5 anos depois. Eu não sei o quanto disso se deve à tal da suposta “maturidade literária” ou simplesmente da bagagem de conhecimento que eu tinha na época com relação à que tenho agora. Acho que o sinal mais evidente disso são os clássicos que eu li na época e gostei (Dom Casmurro, A Moreninha, O Cortiço e os mais recentes, como os da Ligia Fagundes Telles ) vs. os que eu detestei (Senhora e praticamente todos os livros do Jorge Amado). Quando você ainda está se descobrindo psicologicamente, não sei se é uma boa idéia que joguem na sua cara livros com uma linguagem rebuscada até para pessoas bem mais velhas.

      Um adendo ao seu comentário sobre “ter que estudar para entender o livro” é que o livro não precisa nem ser nada com o peso da Odisséia. Peguemos Deuses Americanos, do Neil Gaiman. Enquanto ele pode ser lido de maneira bem “casual”, é inegável que ler e analisar o livro tendo um conhecimento mais profundo sobre deuses e mitologias torna a experiência muito mais recompensadora.

  • NicoRobinAzul

    Oi, primeira vez que comento aqui, e passo para dizer que comecei a ler post human. Coloquei ele na lista de desejados da amazon, a versão que são os 4 primeiros livros junto e um belo dia entro lá e tá 0,00 reais e claro comprei. Amo ficção cientifica e até o momento estou achando muito agradável a leitura.

    *spoiler alert*

    só uma pergunta, lá no começo da história, você achou certo fazerem aquilo com o Graig sem a permissão dele? eu ia ficar fula, quero viver e morrer 100% humana,

    P.S. O podcast de vocês é muito diferentão, amei
    Att,

  • Isabela O.

    Uma coisa que eu ODEIO: Quando alguém diz que não gostou de uma determinada obra clássica e logo em seguida, alguém dizer “Você não gostou por não ter maturidade/inteligencia/conhecimento/bom gosto pra entender a obra”.
    Tudo bem que tem obras que não é qualquer um que pode (poder, no sentido de ter capacidade de ler e COMPREENDER o que está lendo e não somente ‘passar os olhos’) ler. Tem livros que um adolescente de 15 anos ou um adulto de 30 que só lê fantasia não tem capacidade de ler e compreender. E mesmo que a pessoa tenha a capacidade de ler e compreender não significa que ela vá gostar (o que já anula aquele argumento que muitos usam, de que ‘Não gostou por que foi burro e não entendeu). Mas digamos, o fato dessa pessoa não ‘poder’ ler, ou ler e não gostar, não significa que ela seja inferior. Existe todo um elitismo em volta da literatura, se você não gostou logo aparece alguém te chamando de ‘funkeiro sem cultura que assiste novelas da globo’, como se você fosse um ser inferior na camada da sociedade por não ter gostado de Charles Dickens por exemplo. DETESTO essa prepotência.

    Detalhe que existe uma diferença entre eu dizer pra alguém “Talvez você não goste desse livro pois ele não é pra quem não está acostumado com obras do tipo e familiarizadas com o o contexto histórico e social da época em que ele foi escrito” OU eu dizer pra alguém “Você não deve ler esse livro pois ele é somente pra gente que tem cultura o suficiente pra entender essa obra culta do séc. 14. Pessoas que só lêem Harry Potter ou Game of thrones não tem capacidade de ler algo desse tipo”. Uma coisa é você dizer que talvez alguém não curta uma determinada obra que não faz o tipo dela e você CATEGORIZAR o que alguém deve ou não gostar.

    • Acho que existem várias pessoas que não são capazes de entender que eventualmente existirão outros seres humanos com opiniões e pensamentos diferentes, e diferença de opinião não quer necessariamente dizer que a pessoa não entendeu a história. O Thiago mesmo reforça e diversos episódios que “não tem problema você ter opinião diferente de alguém, vocês podem continuar sendo amigos”.

      Você falou tudo: existe uma certa cultura do “elitismo” com relação aos gostos de pessoas. Se uma pessoa lê, ela automaticamente é etiquetada como “melhor do que quem passa os dias assistindo BBB, novela e futebol”. Se a pessoa lê Dostoyevsky, ela é automaticamente considerada melhor que pessoas que lêem Sabrina e livros do Nicholas Spark. De novo, isso cai em algo que já comentamos anteriormente: existem pessoas que leram, sei lá, Os Miseráveis do Victor Hugo e são completamente incapazes de enunciar qualquer opinião relevante com relação à obra que leram, ao passo que pessoas que leram tudo que é chamado de “YA modinha” podem fazer fazer críticas incríveis sobre sociedade, processo de amadurecimento, falhas do sistema econômico no mundo e por aí vai.

      A questão continua sendo a mesma: cada um tem direito a ter suas próprias opiniões, mas todo mundo tem o dever de respeitar as opiniões alheias!

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