No episódio de hoje, Melanie e Thiago falam de mais um livro de Brandon Sanderson, embora desta vez, nem tudo são elogios…

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Warbreaker

  • Timóteo Rezende Potin

    O episódio ficou muito legal pessoal, com a qualidade de sempre, mas putz, eu vinha com um caminhão de críticas pro episódio aí vocês quebraram as minhas pernas “admitindo” nos minutos finais que o episódio ficou meio contraditório, porque vocês desceram a lenha na parte sem spoilers, aí na parte com spoilers foi praticamente só elogios e deram nota relativamente alta e ainda falaram que estão super ansiosos pela sequência. É tipo o Sanderson admitindo que ele sabe que ele não fez da melhor forma possível mas fez o que ele achou que precisava fazer. Achei que vocês bateram mais do que o livro merecia na parte sem spoilers. No meu ponto de vista, na parte sem spoilers é onde você assopra e na parte com spoilers é onde você bate.

    Acho que vocês meio que sabem disso, mas na minha opinião, o problema foi maior com vocês e expectativa do que do livro em si.
    Eu gostei bastante desse livro. logo quando eu terminei eu no frenesi coloquei ele acima do primeiro Mistborn na minha lista de excelência do Sanderson, apesar de hoje eu não ter tanta certeza disso. Um dos aspectos que vocês não gostaram foi o fato de a gente não saber exatamente o que está acontecendo durante a história foi uma das coisas que surpreendentemente eu gostei. Comentando a história quando eu estava lendo eu fiz uma analogia que eu me sentia como se estivesse preso em um quarto fechado, e que eu sabia que estava acontecendo alguma coisa do lado de fora porque eu ouvia móveis sendo arrastados, mas não tinha nenhuma condição de ver o que estava acontecendo. Só de vez em quando espiando pela fechadura dava pra ter um vislumbre. E por mais bizarro que possa parecer eu gostei disso.

    Também discordo do ponto onde falaram que esse é o livro menos Brandon Sanderson do Brandon Sanderson. Elantris é beeeem menos BS na minha opinião do que esse livro.

    Ah, tb ouvi o audiobook (e li o livro, sigo o conselho que vocês mesmo deram algum tempo atrás de ouvir e ler ao mesmo tempo e recomendo muito. Experiência fantástica!) e a narração da mulher é excelente! Foi o primeiro audiobook que eu tive confiança pra largar o livro e continuar escutando enquanto fazia outras atividades.

    [SPOILER]
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    Sobra a parte da Vivenna nas ruas, eu concordo com a Melanie. Queria ver mais disso. Acho que ela tinha que ter ido mais fundo na lama.

    Sobre a conversa da Blushweaver com a Siri, a conversa em si não me incomodou em nada, justamente porque é exatamente o que a Blushweaver faria. A personagem da Blushweaver é muito irritante, então aquela conversa escrota foi normal pra mim.

    Sobre essas duas cenas acima, vocês comentaram algo que eu discordo. Que a gente “sabe” como o personagem se comportaria em tal situação e que o autor não precisa ficar mostrando certas coisas. Eu penso diferente. Pra mim, se o autor não mostrou, é pq não aconteceu. Se o Sanderson não tivesse denotado por exemplo que a Vivenna realmente pensou em se tornar uma prostituta por alguns momentos, pra mim isso não teria acontecido. Ainda que a cena seja “redundante” de certa maneira, condiz com o caráter do personagem, acho válida a presença dela no livro. Mas acho que isso é opinião mesmo. Tem gente que quase morre pra ler Tolkien por causa do excesso de informação redundante e tal, mas no meu ponto de vista, o próprio Sanderson faz muito pior em The Hero of Ages, que na minha opinião, se cortasse toda a informação redundante dava pra mandar embora 1/3 do livro pelo menos. (não me apedrejem! eu adoro The Hero of Ages. Pelo menos a segunda metade do livro! kkkkk).

    E um último comentário: Por mais que seja legal ver histórias mais mirabolantes e diferentes possíveis, por mais que seja legal ver a Vin explodindo cabeças com a testa pra salvar o Elend, a Silence matar um bandido a marretadas e a Shae tecer uma alma nova pro imperador, se a história pedir uma mocinha em perigo, isso não é exatamente um defeito. Concordo que a Vivi podia ter tentado salvar a Siri, mas se não me engano ela não sabia que a Siri estava presa. Ela foi tentar salvar o Vasher (ou estou errado?? Me lembro da Vivi estar tentando salvar alguém, mas no meio da avalanche eu não me lembro se era o Vasher ou a Siri). Pode ser até meio clichê, mas não consigo ver isso como um defeito da obra, se casar com a situação da história.

    • Fala, Timóteo!

      Eu vou ser a primeira a admitir que sim, a expectativa que eu tinha para com o livro estragou um pouco a experiência da leitura. A gente até chegou a conversar a respeito disso em off: eu esperava MUITO do livro. Você até mencionou que esse livro segue muito mais os padrões Brandon Sanderson do que Elantris, e eu acho que a minha opinião é diferente justamente porque eu li Elantris sabendo que aquele tinha sido o primeiro livro do Brandon. Ou seja: a minha expectativa estava baixa. Com Warbreaker, foi justamente o contrário. E isso é até engraçado, porque comentamos como esse livro o tempo todo brinca com as suas expectativas como leitor, e até na própria premissa isso aconteceu!

      Por outro lado, realmente, esse episódio foi bem… fora dos padrões. Esse foi um raro e interessante caso de “ODIEI, 5 ESTRELAS” (ou 4 estrelas, no caso).

      [SPOILERS!]

      Novamente, sim, é algo que a Blushweaver faria, e disso nós sabemos, mas que eu continuo achando que não agregou em nada na história. Mas a minha encrenca com esse diálogo não foi nem isso, e acho que posso até dizer que não foi nem a parte do slutshaming em si, mas do quão saturada eu me sinto com esse tipo de relacionamento entre duas mulheres. Claro, é opinião minha e é algo exclusivamente meu. Inclusive eu até me preocupo que o fato de eu estar enfatizando isso repetidamente em praticamente todos os podcasts incomode quem está nos ouvindo, mas o fato é que existem inúmeros livros que retratam relacionamentos entre duas mulheres como sendo algo puramente baseado em rivalidade. É claro, isso não acontece em Elantris ou em Stormlight Archive, mas temos um bom naco de Mistborn Era 1 com essa relação desnecessariamente tóxica entre a Vin e outras personagens e isso acaba se repetindo em Warbreaker, ainda que brevemente. Sendo mulher, eu me sinto extremamente incomodada com isso, porque dá a impressão de que os homens acreditam que todas as relações entre mulheres são assim, sabe? Sim, eu sei que “nem todo homem pensa assim”, mas ver isso retratado desta maneira em todo santo livro é bastante desgastante, sobretudo depois de encarar outras obras que fizeram isso de um jeito tão melhor.

      Com relação a “saber” como o personagem vai se comportar, eu acho que da maneira como o Brandon Sanderson criou e desenvolveu os personagens, e sabendo que o autor é muito coerente com a personalidade e a caracterização dos mesmos, eu continuo achando que ele não tem a necessidade de mostrar cada uma das coisas que ele faz. Nesse caso específico da Blushweaver, nós já sabíamos que ela tinha uma hostilidade forte para com a Siri. Será que houve mesmo a necessidade da cena da sacada, sendo que elas não se falam mais no restante do livro? No caso do próprio Lightsong, nós passamos o livro inteiro recebendo mais informação sobre ele do que é realmente útil. Será que foi realmente necessário saber que ele sabia fazer malabarismo com limões? Neste quesito, eu sinto que o Wayne, de Mistborn Era 2, é praticamente uma costela do Lightsong, mas caracterizado de uma forma muito mais interessante. Praticamente tudo que a gente sabe sobre o Wayne é relevante para a história.

      Engraçado você ter mencionado informações redundantes de Hero of Ages. Eu achei que o livro foi até mesmo objetivo, mas posso estar dizendo isso porque acho a Vin e o Elend personagens extremamente cativantes. O que você achou redundante no livro?

      Com relação ao papel da donzela em perigo, novamente eu concordo (ao menos parcialmente) com você e com o Thiago: se a história “pede” que haja uma, okay, que tenha uma. Eu sei que estou repetindo isso à exaustão, mas a minha birra com isso é o fato de existir MUITO disso. Eu até peço desculpas, porque eu tenho noção de que eu não era tão chata com personagens femininas nos primeiros episódios do podcast, mas depois de ter lido tantos livros com personagens femininas fortes com quem eu consigo me identificar quase de imediato, voltar a ver mulheres que precisam ser salvas, independente de elas terem sido ótimas estrategistas, guerreiras ou o que quer que seja, é algo que me incomoda.

  • Vicente Aguiar

    Fala pessoal!

    Sobre o Sanderson demorar mais que o normal pra escrever a continuação, não é só pq ele tá focado em Stormlight. Se eu não me engano, Nightblood vai ter muito mais informação sobre o Cosmere como um todo e o Sanderson quer construir (mais ainda) o universo antes de escreve-lo. É o mesmo caso do livro de origem do Hoid, que vai ser lançado algum dia no futuro mas beeeem mais pra frente. ]
    Eu achei que tivesse achado esse livro meio fraco, mas vocês me fizeram ver que eu gostei bastante até dele hahaha. Eu não tenho nem de LONGE tantos problemas com ele quanto vocês tiveram, a coisa que me fez tirar 1 estrela dele foi só o ritmo. Além disso, eu acho que não posso discutir muito sobre o final e a correria que foi pq acho que li rápido demais. Pra vcs terem ideia eu nem lembrava do povo do Bluefingers e no geral não lembro da resolução da história 🙁

    SPOILERS
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    Vou comentar em pontos conforme fui anotando ouvindo o cast:
    – Acho que é unanimidade que faltou o Vasher na história, mas entendo o ponto de vista do Sanderson. Seria o equivalente de ter um POV do Varys em ASOIAF. Eles simplesmente sabem demais.
    – Só corrigindo uma coisa que vcs falaram no episódio, o Vasher tem mais pontos de vista próprios durante o livro, como na cena que ele invade uma das mansões dos Returned e o castelo do Susebron. Inclusive são nesses capítulos que sabemos mais sobre a Nightblood.
    – O Rei de Idris não mandou a Siri só pq ele gostava mais da Vivenna. Ele (e o conselho dele) enxergavam a guerra como algo inevitável e ele considerou mais útil manter a Vivenna como conselheira.
    – No geral eu gostei bastante do Lightsong e achei muito legal ele ter morrido tentando salvar a sobrinha.
    – O marasmo dele não me incomodou também, achei condizente com o personagem.

    Acho que é isso, abraço.

    • Fala, Vicente!

      Pois é, eu lembro do post de conclusão de ano do Sanderson e ele mencionou que a continuação de Elantris e de Warbreaker iam demorar bastante, mas eu achei que ele fechou ambas histórias de um jeito bem satisfatório, então eu acho que não tenho muitas críticas com relação a isso. O que ele lançar ainda este ano (muito provavelmente a novelleta da Lift, White Sand e o último livro da série Alcatraz) já é lucro!

      [SPOILERS!]
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      Com relação ao Vasher, sim, ele tem mais capítulos dele, e isso é até algo que eu deveria ter cortado o Thiago de falar porque eu falei de propósito que “o livro só tem três pontos de vista” para mencionar mais para a frente que “na verdade tem mais um ponto de vista”, mas como ele acabou falando mais a respeito, eu acabei deixando de lado. E sim, ele sabe demais com relação a tudo, mas isso é até uma das minhas críticas com relação a esse livro SE comparado aos outros que ele escreveu: eu achei que o Sanderson teve coragem de fazer tanta coisa mais ousada que eu gostaria de ter visto como ele lidaria com um personagem que sabe muito mais do que ele estava disposto a revelar. Novamente, estou aqui tentando conter o meu amargor com o fato de que ele foi tão mais ousado em outros livros que eu fiquei surpresa em vê-lo tão contido neste livro.

  • Isa Prospero

    Lightsong como tio do pavê: morri. Hahahaha.

    Eu li Warbreaker há um bom tempo, mas lembro de ter AMADO. Acho que ler Stormlight antes realmente prejudica a leitura, fiquei surpresa com todas as críticas que vcs fizeram! Lembro de ter ficado chocada com as revelações dos mercenários e do Susebron. Adorei o foco nas duas irmãs (acho que o Brandon melhorou bastante o ponto de vista feminino dele, embora, claro, nada se compare a WoT), elas formam meio que aquela dicotomia Sansa/Arya e, como o Martin, o Brandon conseguiu mostrar a força e as habilidades das duas personagens. Acho que por isso não me incomodei tanto com a história da donzela em perigo. Mas não me lembrava daquela cena com a Blushweaver – esse tipo de coisa tb vem me incomodando bastante desde que comecei a reparar nisso. Acho que nos últimos livros ele está melhorando no quesito relacionamento entre mulheres (Jasnah e Shallan <3), mas essa cena foi meio infeliz. Vamos torcer pra nunca termos que ler nada parecido de novo, rs.

    Um abraço pros dois!

    • Fala, Isa! o/

      Eu tenho que admitir que estou achando um barato todo mundo ficar espantado com o tanto de críticas que fizemos ao livro (e ainda assim termos dado quatro estrelas a ele!). Mas é bem aquilo que mencionamos: nós criticamos (bastante) o livro justamente porque ele mostra personagens com quem nos importamos tanto, mas tanto que quando o rumo da história divergiu, ficamos extremamente incomodados.

      Com relação à Blushweaver (e a todos os relacionamentos tóxicos entre mulheres que são descritos na literatura), é inegável que o Brandon tem feito progressos fantásticos com relação a esses aspectos. Espero que ele continue por esse viés!

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