Desempenho escolar e popularização da leitura

13 de abril de 2016

Disclaimer: a imagem veio daqui!

Um dia desses eu vi uma reportagem falando que muitos brasileiros têm dificuldade para entender o que lêem (inclusive, grande parte da discussão do episódio 20 do podcast Gente que Escreve foi a respeito disso) e, se por um lado não achei o conteúdo da reportagem surpreendente, senti uma estranha mistura de indignação e revolta, sobretudo porque recentemente vi outra reportagem que dizia que o Brasil era um dos países com os piores desempenhos escolares do mundo, ainda que a quantidade de alunos no Ensino Médio tenha aumentado. Até onde é de meu entendimento, muito disso se deve ao fato de novas políticas implementadas (medidas contra a reprovação e similares) e, é claro, de vários outros fatores.

Enquanto pensava em algum assunto sobre o qual eu podia escrever no blog, lembrei do episódio que gravamos no mês do podcast, em que o Thiago falou entusiasticamente sobre os problemas de restringir acesso à educação. No final de contas, chegamos à conclusão de que grande parte dos problemas com a educação brasileira poderiam ser resolvidas se a leitura fosse um hábito um pouco mais acessível e um pouco mais encorajado.

Como fazer isso em um local em que a popularidade de mídias fáceis de serem consumidas (reality shows, novelas) e que não geram tantas discussões morais interessantes é tão alta? Em toda a minha doce inocência, eu sempre acreditei que o número de pessoas lendo livros aumentaria se essa fosse uma prática encorajada, ironicamente, pela própria mídia. Por exemplo, se as pessoas vissem mais freqüentemente seus ídolos (atores, jogadores de futebol, a galera dos reality shows) lendo. Mas ao mesmo tempo, quantas vezes você já viu, durante as premiações, algum repórter perguntando aos astros que passam pelo tapete vermelho “qual é o livro que você está lendo no momento?”? Tirando talvez alguns repórteres independentes, a pergunta mais freqüente que você vai escutar provavelmente será “qual é a marca do que você está vestindo agora?” ou “quem fez a sua maquiagem?”.

É muita ingenuidade da minha parte esperar iniciativa por parte da imprensa para incentivar as pessoas a lerem mais. Afinal de contas, quanto mais ignorante for a massa populacional, melhor para eles. Mas, puxa vida, como seria legal poder levar discussões inteligentes a uma quantidade maior de pessoas…

E você? Qual é a sua opinião a respeito? Você acha que existe alguma saída um pouco mais fácil para este problema? Deixe-nos seu comentário!

  • Roberto

    Concordo com você. Eu acho que mesmo na escola as crianças e os adolescentes não são incentivados a ler. Ler os clássicos obrigatórios no ensino médio também não é a maneira certa, na minha opinião. Uma solução seria incentivar as crianças e adolescentes com livros infanto-juvenis e jovens adultos. Claro que clássicos são importantes mas antes de lê-los os jovens deveriam ter desenvolvido o costume da leitura.

    Eu já conversei com amigo que seria demais ver book trailers em propaganda na tv, programas sobre livros, mas é difícil de acontecer quando não se tem um grande público leitor e desencorajados por experiências ruins com Machado de Assis entre outros.

    • Uma coisa que eu sempre escuto de vários sites de motivação e organização é que “se uma tarefa é obrigatória, a execução dela acaba se tornando imediatamente desprazerosa”. Acho um pouco extremo, mas mesmo para mim isso tem seu fundo de verdade. Uma coisa que a minha professora de Literatura fazia que funcionava MUITO bem para mim na época do Ensino Médio era justamente propor discussões a respeito de aspectos do livro que achávamos mais relevantes. Enquanto algumas pessoas podem não se interessar pelos conflitos históricos que ocorriam durante a história, talvez elas possam se interessar pelos personagens, pela maneira como eles são desenvolvidos e assim sucessivamente. O apelo que um livro tem a um determinado leitor é muito diferente ao apelo que ele pode ter a outro leitor e assim sucessivamente. Fazer com que o aluno precise analisar cada aspecto de um livro imposto a ele pode até ser uma atividade que vá fazer toda a diferença para o desenvolvimento educacional do mesmo, mas não é uma coisa legal a se fazer. Isso até acaba se tornando ineficiente. Como o próprio Thiago disse, a experiência que eu tenho ao ler um livro não vai ser a mesma que você vai ter lendo o mesmo livro.

      Com relação a book trailers, eu até sinto uma pontada de tristeza quando vejo as expectativas que alguns booktubers têm para com o lançamento de um livro ou outro e depois vejo que aqui isso não é algo tão forte. Mas, novamente, acabamos caindo no estigma deixado pelas experiências ruins que tivemos com livros obrigatórios no Ensino Médio.

      • Roberto

        Só me lembro de ter feito prova de livro, acho que nunca durante o ensino médio o professor discutiu com a minha turma sobre uma obra. No primeiro ano do E.M. eu só resumi o livro didático de literatura. O jeito do professor apresentar um livro faz realmente toda a diferença. Li Dom Casmurro pruma prova odiando, a linguagem antiga incomodava e a história não me interessava. Anos depois peguei o livro de novo por livre e espontânea vontade e adorei o livro com seu narrador pouco confiável.

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