Interesses amorosos em livros

2 de março de 2016

Não faz muito tempo em que lançamos o nosso episódio sobre coisas que gostamos e não gostamos em personagens de livros. Falamos de tudo que é característica que admiramos, descemos a lenha em clichés e esteriótipos… mas mesmo depois de quase uma hora de pura discussão, ainda ficaram faltando VÁRIAS coisas que gostaríamos de falar. Como já estamos com praticamente todos os episódios planejados para o resto do ano, vou dedicar este post para falar de uma característica bem específica que não pudemos comentar no podcast: interesses amorosos, relacionamentos entre casais e a maneira como eles são retratados no mundo literário!

Logo de cara, vou reforçar aqui uma coisa que sempre tentamos deixar bem claro em tudo que é episódio: eu não sou muito fã de romances, seja em livros, seja em quadrinhos, séries ou filmes. Ainda assim, ironicamente, um dos meus filmes preferidos é a refilmagem de Orgulho e Preconceito, com Keira Knightley e Matthew Macfadyen. Também gosto bastante do romance que existe na primeira trilogia Mistborn e até do romancezinho que acontece em Words of Radiance. Só para não dizer que eu só falo de Brandon Sanderson (embora eu praticamente só fale dele), eu também sou doida pelo romance que existe em Carry On, da Rainbow Rowell, em A Culpa é das Estrelas, do John Green, e o de Northanger Abbey, da Jane Austen.

Mas Melanie, você não disse que não gosta de romance?

Pois é. O que aconteceu aqui?

Eu estive comentando a respeito disso com o Thiago e nós chegamos a uma conclusão muito interessante: talvez eu não tenha desafeto pelos romances em si, e sim na forma como eles são contados e retratados no mundo literário.

Não é que eu não goste do romance em si, ou do fato de dois personagens se amarem. Eu não sou, até onde eu sei, uma velha solteirona amarga que trocou o objetivo de ter um interesse amoroso por vinte gatos e pantufas de coelho. Eu inclusive GOSTO de romances em livros, contanto que eles não caiam em clichés de livro Young Adult, o que eu costumo de chamar de “Santíssima Trindade do YA”. Já fiz um post a respeito disso.

Aqui, entramos em outra discussão: o que torna um romance agradável? Bom, para mim, existem alguns elementos que eu acho extremamente desejáveis para cimentar um romance agradável de se acompanhar (e percebam, o que eu vou listar a seguir não são regras. São estilos de desenvolvimento de história que funcionam para mim):

  1. Os personagens precisam gostar um do outro. Parece algo meio óbvio, mas essa questão foi algo que me deixou um gosto amargo nos livros Os Garotos Corvos e A Desconstrução de Mara Dyer. No primeiro caso, eu não consegui ser convencida pela transformação da relação entre a Blue e o Gansey (eu juro que quero dar uma segunda chance para a série dos Ladrões de Sonhos da Maggie Stievater porque ouvi falar coisas ótimas dos outros livros da série. Mas sabe quando você pega tanto asco de um personagem que só de lembrar dele já dá preguiça? Pois é). No segundo, a Mara Dyer me deu a impressão de ser uma garota do arquétipo tsundere ao extremo, coisa que não me agrada.

  2. Os personagens precisam ser honestos com os próprios sentimentos. Outra coisa que me dá um desgosto imenso é quando dois personagens meio que se forçam a ficar juntos por qualquer motivo (Jogos Vorazes, estou olhando pra você). Ou pior ainda: quando um personagem fica com o outro por pena. Se esse é o foco da história, eu acho que ainda consigo relevar, mas quando isso passa a ser um aspecto que atrasa a história, não é algo construtivo.

  3. Os personagens precisam se respeitar. “Não” significa “NÃO”. Relacionamentos abusivos não são legais. Violência doméstica não é legal. Romantizar esses dois problemas é PÉSSIMO.

  4. Fidelidade. Eu gosto de histórias que retratam fidelidade, mas ainda assim parece até meio difícil encontrar uma história em que os personagens sejam fiéis um ao outro. Eu entendo que tem gente que curte uma intriga como relação extraconjugal para “apimentar” a relação, mas pra mim isso não funciona NADA bem.

  5. Trabalho em equipe. Uma vez que o casal já está estabelecido, não faz muito sentido um tentar sabotar o outro ou um ter que salvar o outro o tempo todo. Eu acredito que a partir do momento em que duas pessoas resolvem se juntar, é porque elas decidiram que se conhecem bem o suficiente para um entender como o outro funciona (se não for assim, então eu honestamente não entendo o por quê de um relacionamento). Só isso já deveria ser o suficiente para eles entenderem a própria dinâmica. Ou seja, não tem por que o relacionamento não ser “simbiótico”.

  6. Se eles forem se separar, eu quero um motivo plausível. Eu estou OK com um casal não ficando junto no final da história, contanto que o motivo pelo qual eles estão se separando me convença. A vida de um deles vai acabar, alguém que eles amam vai morrer, eles não eram a pessoa certa um para o outro, não sei. O próprio fluxo da história provavelmente ditará o rumo de como acontecerá o desfecho se ela for bem escrita, mas eu preciso ser convencida de que esse é o destino certo dos personagens.

Enfim, já me estendi bastante com relação a esse assunto, mas acho que eu escrevi grande parte do que eu queria.

E vocês? O que lhes agrada em relacionamentos no mundo literário? E o que os desagrada? Deixem-nos seus comentários!

Copyright Agentes do L.I.V.R.O. © 2014-2017