Neste episódio Melanie e Thiago discutem um pouco sobre o papel da literatura na nossa sociedade.

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  • Muito interessante o cast, confesso que já fiz parte de uma casta que era muito intransigente com pessoas que liam coisas como Crepúsculo, etc, mas entendi que antes de criticar essas pessoas, entendi que eles podem ser a porta de entrada para conteúdos de mais complexidade, narração, seja lá o que você percebe por um livro melhor escrito.

    O que o Thiago falou sobre que não existe livro ruim é altamente correto, o bom livro é aquele que lhe apetece melhor, eu mesmo faço parte do grupo que não suportou ler Percy Jackson, mas conheço pessoas que os amam.

    Recentemente até entrei numa ‘discussão’ que não foi muito boa porque a pessoa não conseguia entender o porquê d’eu não gostar do livro e queria provar isso por uma falta de visão minha, na verdade ele queria que eu fosse ter a mesma ideia da interpretação dele diante da obra, o que não funciona. Interessante foi ele até alegar uma certa falta de conhecimento meu diante de tragédias gregas, o que me assustou visto que – não estou falando isto para me colocar num topo intelectual – sou formado em Filosofia e escrevi minha monografia justamente sobre tragédia grega.

    No mais, hoje eu vejo que há escritores mainstream que fazem um bom trabalho na porta de entrada literária, basta o leitor querer subir cada vez mais na sua busca.

    E acima de tudo, foi muito importante ouvir esse podcast foi descobrir o que era ‘vina’.

    • Kijof, meu véio!!!
      Pois é, acho que um dos fatores mais ignorados com relação a livros é que uma coisa que pode não ser feito para agradar o gosto de uns pode ser o livro preferido de outros. Enquanto eu não aprecie livros do estilo de Crepúsculo, 50 Tons e A Seleção por achar que a imagem que eles passem da figura feminina seja pernicioso, muita gente gosta deles por eles serem fáceis de ler (ou qualquer que seja o outro motivo). A lição que eles passam pode não ser boa, mas o fato de que eles levam algumas pessoas a procurar mais livros do estilo e talvez até mudarem de opinião conforme elas procuram mais material para ler seja algo positivo para o mundo literário.
      Agora, com relação à sua discussão com a outra pessoa a respeito da diferença de opiniões, infelizmente sinto que ainda vamos ver muito disso. Eu freqüentemente vejo comentários de YouTubers mencionando que levaram represália por não terem gostado de algum livro, coisa que eu acho extremamente irritante. Talvez seja comum por parte de certas pessoas se apaixonarem tão fortemente por alguma obra ou por algum autor que o fato de outras pessoas não gostarem da mesma coisa que elas com a mesma intensidade ou até mesmo – imagine o absurdo – discordar delas acabe se tornando uma ofensa pessoal, mesmo que não tenha sido intenção de quem expressou a opinião. É uma pena que nem todo mundo tem maturidade o suficiente para aceitar a opinião alheia, independente se ela concorde ou discorde de você. Fazer o quê? O lance é torcer para que, algum dia, as pessoas adquiram um nível de educação maior e aprendam a aceitar o fato de que nem todo mundo gosta das mesmas coisas. =/

  • @hialee

    Adorei saber essa história da Coreia. Outro dia estava olhando e pensando sobre como é muito bonita a escrita deles.

    Sobre a literatura revolucionária, me lembrei de uma vez, em 2009 e eu com 16 anos e a professora de português e literatura falando pra gente sobre os grandes clássicos. Até que ela comentou sobre o primo basilio e o madame bovary. Eu fiquei super interessada e achei os dois na biblioteca, não escolhi o o primo por causa daquele preconceito de achar que o livro vai ser chato só porque está na lista de leitura obrigatória. Então escolhi o madame bovary, livro frances. Estava sofrendo que só, uma leitura muito rebuscada e eu já pra desistir, tava até pulando páginas. Fui olhar o fim do livro e tinha tipo umas 50 pág só explicando o processo que o autor sofreu só porque o livro se tratava sobre o adultério feminino, para eles era um absurdo uma história onde a mulher que traía, o livro foi queimado, proibido e um milhão de outras coisas. Resolvi ler o livro direita com mais calma e pensando na Revolução que deve ter sido a leitura daquele livro para aquela época. E se hoje lemos coisas tão comuns como o adultério e não nos assustamos tanto, imagino que deve ser por causa desses livros pioneiros.

    • Acho que aí entra uma grande questão que eu acho que até vale um episódio exclusivo mais para a frente: existem certos livros que ficam infinitamente mais interessantes uma vez que você tem maturidade para ler conscientemente e sabendo o contexto em que a história foi escrita. Esse é um dos motivos pelos quais eu não sou a favor dos livros que nos fazem ler na época do Ensino Médio. Algumas histórias, tipo A Moreninha, Dom Casmurro e Seminário de Ratos eu gostei bastante na época em que eu li. Mas Senhora, por exemplo, eu achei insuportável, mas talvez fosse uma história que eu fosse gostar se fosse ler alguns anos depois. Não sei o quão complicado é fazer indicações literárias para uma faixa etária que está numa linha muito tênue entre a adolescência e a vida adulta porque mesmo para esses dois grupos distintos já é muito difícil fazer recomendações certeiras…

  • Isabela O.

    Esse é o primeiro podcast que ouço de vocês e amei!
    Engraçado como eu vi uma certa semelhança na forma como você fala e o Lucien do CabulosoCast hahaha.

    Enfim, eu penso bastante nessa coisa de literatura como forma de tentar revolucionar, mudar nossa sociedade. Eu percebi que foi através da leitura, especificamente de LIVROS que eu abri meus olhos para algumas coisas. Sempre gostei de ler, adoro ler notícias e artigos na Internet, mas raramente lia noticias ou artigos sobre coisas realmente importantes, que não fossem notícias sensacionalistas, artigos pobres, sem credibilidade. Foi só depois de adquirir o hábito pela leitura de livros que comecei realmente a ler bom conteúdo, e estou falando de coisas não ficcionais.

    Após criar o hábito de ler, comecei a ler alguns autores que não eram europeus ou latinos, eram asiáticos, africanos, árabes. E acabei lendo muitos livros de ficção e não ficção sobre a condição da mulher nos países árabes, sobre o aborto de meninas e a política do filho único na China, sobre as grandes guerras mundiais da perspectiva dos asiáticos e não dos Norte Americanos e Europeus, etc. E é engraçado que esses são assuntos com os quais eu SEMPRE me deparava nos jornais e na internet, as vezes via documentários e filmes sobre, mas raramente me dava ao trabalho procurar saber algo a mais em relação ao que eu tinha acabado de ler em um artigo de 2 parágrafos ou de ver em um filme lindo e emocionante de Hollywood.

    E eu comecei a pensar no quanto era estranho que eu, uma pessoa que se considerava ‘bem informada’, uma pessoa curiosa, que sempre procura saber sobre as coisas e que tem acesso a internet, me interessava sobre esses assuntos mas lia somente coisas rasas sobre. Só depois de começar a ler livros sobre determinado assunto de uma pessoa que tinha experiencia, tinha vivido pra falar sobre aquilo, que percebi o quanto eu sabia pouco sobre eles. Quando eu raramente procurava algo sobre esses assuntos, não eram coisas realmente relevantes, eram esses artigos tendenciosos e sem credibilidade, aquelas matérias de jornais feitas pra emocionar, aquele tipo de coisa que a gente vê e cinco minutos depois já esqueceu. Mas não ocorre o mesmo com os livros biográficos e de não ficção (e até mesmo os de ficção) que eu leio. Nunca me esqueço do que li nos livros de não ficção, ou de que aprendi após tê-los lidos. E eu adoro ler livros de pessoas que vivem em países de cultura não ocidentais, pois as diferenças são chocantes.

    • Fala, Isabela!

      Que bom que você gostou deste episódio, esperamos que os outros também te agradem!
      Acho que o CabulosoCast tem muito mais tradição do que a gente, hehe. Mas um dia desses a gente ainda arrasta o Lucien para fazer uma participação especial por aqui!

      Eu acho que a sua “jornada da leitora” é uma coisa com uma progressão bem natural. Por algum motivo, o hábito de ler parece não ser tão forte por aqui (mesmo porque com o preço dos livros, quem nos julgará?), então é bem natural que mídias que fornecem informações de maneira mais fácil e acessível sejam acessadas mais freqüentemente por grande parte da população. Mas, ao mesmo tempo, sempre vai existir alguém que vai questionar aquilo que está lendo e chegar até onde você chegou.

      De fato, livros são fascinantes justamente pelo motivo que você citou: eles permitem que você conheça outras culturas pelo ponto de vista de quem as vivencia. Com elas fica muito mais claro o motivo pelos quais certos conflitos perduram por tanto tempo ou por que uma sociedade ainda segue preceitos que, sob o nosso ponto de vista ocidental, parecem ser tão medievais e defasados. Ao mesmo tempo, vendo a história com os olhos desses mesmos autores de tantas culturas e raças diferentes, é mais fácil adquirir empatia por eles.

      No mais, seja sempre bem-vinda por aqui! 😀

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