Personagens Inteligentes

30 de setembro de 2015

Sherlock Holmes

Nesta semana eu tive uma conversa bem interessante com um colega de trabalho sobre personagens super-inteligentes em qualquer história.

Falamos de Batman a Sherlock Holmes e depois disso eu fiquei com aquela pulga atrás da orelha sobre alguns pontos e decidi compartilhar isso com você para saber a sua opinião.

Quem não gosta quando uma história, seja ela um livro, quadrinho, filme ou video-game, apresenta um personagem que o tempo todo está pensando muito a nossa frente? É elementar! Já diria um dos grandes. Mas e quando o autor erra “na mão”?

Vou dar um exemplo: aqui nos EUA tem uma série de TV chamada Scorpion em que uma equipe de pessoas super-dotadas se juntam pra combater o crime (ok, não é bem esse o enredo mas a essência está aí). A série em si até é boa, mas tem um pequeno problema. Por diversas vezes as ideias geniais dos personagens são pouco mais elaboradas do que a do telespectador! Ou seja, esse personagem, que me foi apresentado como um gênio, teve uma ideia que ninguém mais teve (note que “ninguém” nesse contexto, significa todos os funcionários da CIA, FBI, NSA e outras milhões de siglas que nem sei quais são), só que essa ideia é tão básica quanto: desliga e liga de novo pra ver se conserta!

Primeiramente eu não consigo honestamente decidir se isso é um problema ou não! Eu vejo que por um lado, o autor quer trazer o telespectador (ou leitor no nosso caso) ao nível dos protagonistas e pra isso ele tem que “emburrecer” todos os outros seres humanos no universo desta história. Mas por outro, eu vejo que o autor está subestimando o público e vendendo um personagem X e entregando um Y.

Quanto a livros, que é nosso foco, isso é muito mais fácil de se encontrar em autores independentes ou obras mais antigas. No primeiro caso o autor acredita que sua ideia é tão genial e que ninguém vai pensar o mesmo que ele até que se revele o grande “segredo” ao leitor e no segundo, a nossa sociedade evoluiu e coisas que eram bizarras ou mágicas naquele tempo, se tornaram muito mais comuns hoje em dia.

Eu particularmente não ligo muito pra isso porque estou sempre disposto a fazer a boa e velha suspensão de descrença enquanto leio um livro mas tem casos em que até pra mim fica difícil. Há uns bons 2 ou 3 anos, um autor independente chamado Raymon L. Weil lançou a primeira parte de um conto de ficção científica chamado “Moon Wreck, First Contact”. Eu e a Melanie lemos o conto meio juntos e enquanto ela não gostou de muitos detalhes da história eu me agarrei na suspensão de descrença e segui a diante (me lembro que cheguei a dar 4 estrelas para a primeira parte da história).

Na segunda parte, eu comecei a me incomodar com os personagens quando o autor colocou eles em situação intelectualmente complicadas e que eu, com meu intelecto mediano, considerava bem triviais. Resultado: 3 estrelas!

Foi na terceira parte dessa história que eu comecei a me sentir ofendido pelo autor quando ele “precisa” terminar a história e questionamentos básicos são deixados de lado para ter mais a ser descoberto no futuro! Resultado: 2 estrelas.

Eu percebi que não me importo com muitos detalhes em um livro, mas eu exijo um mínimo de respeito do autor enquanto leio a obra dele.

E você, o que acha desse assunto? Você se importa quando o autor emburrece os personagens da história para fazer o protagonista parecer mais inteligente? Você tem algum livro em que isso aconteceu e te incomodou?

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